Ok, vocês conhecem-me. Quem não conhece, tem vindo a conhecer nem que seja através do meu polemicamente aborrecido blog.
E a verdade é que eu até nem sou a pessoa com pior feitio de sempre. A sério! Nem sou!
Eu sei que tenho mau feitio, daqueles que são chatos e até relativamente engraçados para quem me rodeia, desde que não seja o causador directo, porque me transformo numa criança mimada.
Mas a verdade é que essas minhas crises de mau feitio são muito raras hoje em dia.
A verdade é que sou assim esta pessoa calma, sempre em paz com tudo e com todos, que leva, leva e leva na cabeça e continua a dar, dar e dar sempre o mesmo, ou mais ainda.
Resumidamente, sou estúpida.
Mas quando, do nada, tenho uma crise de mau feitio. E atenção, normalmente estas crises são pura e simplesmente resultado de milhões de coisas parvas que me enchem a cabeça e me põem fora de mim, dá-me um ataque de sinceridade absoluto em relação a tudo e a todos.
Não que eu seja mentirosa. Não sou. Não digo mentiras sérias vai fazer este ano 8 anos.
Mas lá que sou uma pessoa contida no que toca a dizer coisas que possam magoar, um bocadinho que seja, que me ouve/lê... isso sou. E sou-o de propósito, gosto de ser assim e vou continuar a ser assim.
Por isso penso que é sempre bom quando chegam estas crises, porque há sempre qualquer coisa que salta cá para fora que não devia e que consigo sempre dizer no dia seguinte: "Olha não ligues, estava com o pior feitio de sempre!".
E vinha eu para casa, ensopada por ter deixado o carro no fim do mundo durante o exame, e essa foi uma das muitas razões para hoje ter ficado fora de mim, quando pensei: olha boa, vou-me sentar em casa e escrever no meu tão abandonado blog qualquer coisa que me apeteça imenso dizer.
Logo aí, deparei-me com dois problemas. Primeiro, não tenho nada que me apeteça imenso dizer. Segundo, não me apetece ir para casa.
E isto do não querer vir para casa está a ficar problemático.
Ao que parece, a Ritinha muito certinha, muito defensora dos valores de família, que adora o pai, a mãe, os manos, os sobrinhos e as mães dos sobrinhos, essa mesma Ritinha que defende convictamente a educação algo antiquada que recebeu e que acha, se bem que cada vez menos, que a vai dar aos filhos, está farta, mas mesmo farta, de casa.
E então transforma-se da pessoa faladora, comunicativa, até algo histérica ou infantil se estiver bem embalada, que consegue ser no trabalho, nas aulas, com os amigos ou com quem quer que a ature, na miúda calada, ou muda para ser mais precisa, que entra em casa com umas trombas do tamanho do mundo por ter que viver, dia após dia, a rotina desgraçada que é tão obrigatória nesta casa.
Gostava de conseguir explicar o quão maravilhoso seria para mim, pura e simplesmente, chegar a casa. Ponto final. Cheguei. A casa. E pronto.
Mas não. Cheguei a casa, vamos lá para a cozinha ajudar a acabar o jantar enquanto que conversamos animadamente sobre o dia, a família, as novidades do trabalho. Vai por a mesa? Vou. Adoro a pergunta. Adorava responder: NÃO, estou farta de por a mesa! Traz os pratos de sopa? Não! Estou farta desta sopa feita com mil batatas para cada cenoura! Vamos para a mesa? NÃO! Estou farta de estar sentada com as mesmas duas pessoas que não têm nada para me contar, quando tenho mil coisas para fazer que, para mim, são tão mais importantes. Entre elas encontra-se, sobretudo, aproveitar as poucas horas por dia em que tenho direito a não fazer absolutamente anda.
Mas pronto, como a casa não é a minha e as regras já cá estavam quando eu cheguei, eu obedeço.
Ponho a mesa.
Vou buscar os pratos de sopa.
Comemos.
Conversam.
Eu oiço.
Não tenho nada para dizer. Não tenho vontade de contar nada. Não conto nada! Amanhã janta? Não. Então? Tenho um jantar. E no fim-de-semana? Tenho programa. O que vai fazer? Não estou em casa.
Esta é a animação da minha noite. E quanto menos falo, mais perguntas destas oiço. E deixam-me fora de mim porque odeio que me arranquem palavras a saca-rolhas. Se eu quisesse contar, eu contava! Eu nem quero estar aqui sentada, quero estar no sofá sozinha a ver o que me apetecer, enquanto mando mensagens e tenho o computador ao colo!
E portanto estava eu a chegar a casa depois de um belo exame quando penso: não consigo. Hoje, não consigo. Já estive de mau humor, já me passou, já está tudo bem. Mas não consigo. Não posso. Ainda são 8h30, ainda não jantaram e eu pura e simplesmente recuso-me a subir aquelas escadas.
Não subi.
Fui dar uma volta.
Jantar fora.
Nem interessa onde.
Mas isto é mau, muito mau! É mau porque não estou bem no sítio onde devia estar melhor no mundo inteiro, que é a minha própria casa.
Mas pronto, eventualmente lá vim para casa, como é óbvio, porque ainda não faz muito o meu género dormir debaixo da ponte e não tenho dinheiro para mandar cantar um cego, quanto mais ir viver para outro sítio.
E vindo para casa, cá vim eu parar ao meu blog para escrever algo que tivesse imensa vontade de escrever. Ora, para dizer a verdade, não era nada disto que escrevi até agora que eu tinha vontade de escrever!
O que eu tinha pensado escrever, e que tenho imensa necessidade de o fazer, é que a razão pela qual não tenho escrito nada no meu blog é porque não tenho aguentado os day-after-emails.
E por day-after-emails não me refiro a mails com algum conteúdo matinal, que tanto adoro, e que referem "olha li o teu blog e claro que se precisares de alguma coisa eu estou cá", ou "li o teu blog, estás mesmo gira naquelas fotografias, mas porquê fotografias só do corpo?".
Pronto, esses eu não me importo. Tudo bem, é óbvio que eu adoro os comentários, aqui ou por mail, ou por mensagem ou pessoalmente.
O que eu não estou a aguentar são os conselhos.
Estão a condicionar toda a minha veia criativa para evitar escrever coisas que façam com que as alminhas tão minhas amigas decidam que o facto de eu desabafar é porque preciso que me digam o que fazer.
Não é. Nunca foi.
Quando preciso de ajuda, peço directamente.
Agora, os mails na ordem do:
- "Não sei até que ponto é positivo escreveres as coisas assim"
- "Li o teu blog e acho que tens que andar em frente, esse gajo é o maior deficiente mental e não te merece"
- "Estive a ler o teu blog e não concordei, acho que foste injusta quando disseste aquilo."
- "Olha acho que na verdade o que devias fazer era blá blá blá blá".
Não conheço nenhuma maneira simpática de dizer que isto não é um fórum, muito menos uma democracia. E portanto, como sei que as intenções são sempre as melhores e me estou a arriscar a nunca mais ter nenhum comentário no meu blog, sinto-me na obriação de dizer que, apesar de vos adorar, hoje estou de mau humor e tenho direito a dizer estas coisas da boca para fora.
Até porque, e tenho necessidade de deixar isto bem claro, o facto de eu escrever uma coisa muito feliz, ou muito triste, no meu blog, não significa que a sinta no dia seguinte. Ou no minuto seguinte.
Acho que a descrição melhor que ouvi sobre esta situação foi: "Não se pode levar a mal o que a Rita escreve. O que ela escreve é como ela pensa e nós estamos a ler o que está dentro da cabeça dela. Quando não se gosta, não se lê! Se se lê, já se sabe que é com aquilo que se pode contar".
Era algo deste género, não era? Isto já é para suavizar o facto de ires ficar chateada com a parte dos conselhos, estou-me já a desculpar...
E portanto, deixando este ponto assente e tendo a certeza de que não despoletei os mais terríveis ódios em ninguém, aproximam-se dias interessantes por estas bandas porque ando com certas teorias em desenvolvimento na minha cabeça que tenho vontade de partilhar.
17.4.08
the day after
Escrito pela
Ri
às
21:40
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