(Há algo de fascinante em escrever num momento em que não estou totalmente sóbria... como se os meus dedos conseguissem escrever ainda mais depressa que o normal, como se eu pensasse ainda mais rápido. É a segunda vez que escrevo no meu blog assim... a primeira foi acabadinha de chegar do Sudoeste e, quando finalmente voltei a mim, tive que apagar cerca de 300 vezes a palavra "Chico", que estava repetida de forma totalmente descabida e vergonhosa aos olhos de toda a gente).
Sapatinhos com laçarote.
Lindos de morrer.
Toda a gente os adorou!
- Comprei na China! - Dizia, eu, toda a contente.
- Foi? Compraste no Chinês? - perguntava a Catarina - foi a piada da noite. Mas contado não tem piada, tinha que se estar lá.
Os sapatos são lindos... mas eventualmente deram-me umas dores terríveis e tive que vir para casa sozinha.
A noite acho que foi gira.
Eu sabia que seria algo estranha desde o início, mas nada que não se passasse por cima com bom ambiente. No fundo se tivesse que encontrar uma palavra para a descrever, agora que estou sentada de computador ao colo e são 5h25 da manhã, diria que foi, pura e simplesmente, simpática. Sim, foi uma noite simpática.
Rodeada de amigos e de conhecidos, uns mais amigos que outros e outros apenas mais conhecidos que outros.
Mas foi simpática.
Obrigada aos cozinheiros do restaurante do meu pai pelo fantástico Arroz de Pato que comemos e a minha Tarte de Limão ficou, estranhamente, uma porcaria. Mas a culpa não foi totalmente minha, também foi do forno. Acho que está avariado e demorou bem mais do que o normal a cozer a massa e o recheio de maneira que bati as claras para o merengue cedo de mais e, quando era altura de cobrir a tarte, já estas estavam "partidas" (ou pelo menos é como diz a minha mãe) e a cobertura acabou por ficar com consistência de pastilha elástica. Sobrou metade. Vai para o lixo amanhã de manhã quando eu arrumar a casa.
Foram-se todos embora muito impressionados por eu não os deixar arrumar a casa mas a verdade é que me apetece ter alguma coisa para fazer amanhã quando acordar totalmente ressacada. Sim, porque saí do BBC a achar que estava óptima mas afinal eram as dores de pés que não me deixavam ver que não estou nada em mim, estou bastante nada sóbria... mesmo.
E o BBC foi estranho.
Não fomos para o Lux porque à partida não nos queríamos incomodar com as horas que iríamos demorar a entrar e, por isso mesmo, demos os convites. Quando chegámos à porta do BBC, pelos vistos, o sentimento já era de arrependimento total por termos dado os convites e a vontade de entrar já não era assim tão grande.
A mim é-me tudo indiferente. Basta-me estar com um grupo giro (que éramos, sem dúvida), que me divirto bastante. Mas o grupo giro não estava assim tão animado e muito rápido acabámos todos nós centrados à volta de uma discussão entre um namorado e uma namorada que se adoram e que vivem juntos e que já não se sabem distanciar o suficiente para saberem o que vale a pena discutir e o que não vale.
É a minha opinião.
Eu tinha duas opções. Ser a amiga que apoia incondicionalmente, que às vezes faz muita falta, tenho que admitir, ou a amiga que diz a verdade, doa o que doer. Infelizmente, e graças às bebidas que o Bruno foi magicamente preparando cá em casa, escolhi ser a segunda opção. Não posso fazer nada, agora já está. Claro que os minutos (ou quartos de hora) passados à volta deste momento e parada em cima dos meus sapatos com laçarote acabaram por me dar umas valentes dores de pés e quando finalmente fomos para a pista para arrasar totalmente já eu estava bastante incomodada.
- "Nada a fazer Maria Rita, vais-te divertir e pronto!" - pensei eu para com os meus botões inexistentes no meu vestido que até agora achava lindo de morrer mas que estranhamente a partir desta noite acho absolutamente insuficiente a comparar com os decotes e mini-saias das minhas amigas. Definitivamente, sou transparente por ter uma saia quase até aos joelhos e por só ter um decote até ao umbigo mas que, segundo elas, "devia ser mais aberto... deixar ver mais!".
Ok, eu percebo. Mas é impossível.
A mini-saia já nem se discute. Eu percebo, juro que percebo, que eventualmente no Sudoeste estive linda de morrer com a minha mini-saia às riscas cor-de-laranjas e brancas... mas temos que ver que há uma diferença entre ir para a praia e ir passar o ano! Tenho esta discussão há anos e eventualmente uma mini-saia depois de o sol se por será visível na minha pessoa se eu cumprir a resolução que as minhas próprias amigas definiram para o meu ano de 2008: emagrecer 8 quilos. Obrigada pelo voto de amor incondicional.
Já no BBC e depois de toda a questão da discussão entre uma das minhas melhores amigas e o seu namorado, que eu simplesmente adoro, ter substancialmente passado pelo facto de ela, infelizmente, se ter ido embora, passamos à pista de dança e novamente ao pormenor de o meu vestido lindo de morrer e exageradamente decotado ter, ainda assim, tecido a mais aos olhos de quem está a passar o ano à minha volta.
Sou invisível. Não há nada a fazer.
Tentei ignorar o facto o máximo de tempo possível, mas às tantas estava difícil.
O ambiente era totalmente "bora encontrar um gajo giro e comê-lo" e eu juro, juro por tudo que ano após ano ano da minha vida dou por mim a pensar nesta minha incapacidade total de colar a minha boca à boca de uma pessoa que nunca vi na vida e que não sei sequer por onde andou. Continuo sem perceber porque é que me recuso a desvalorizar-me totalmente desta forma.
- Ah, dizes isso mas também não és nenhuma santa! Olha para ela armada em pudica! - Tudo bem, nunca disse que era uma santa e aparentemente, descobri agora, não sou tão tímida quanto parecia, mas continuo incapaz de olhar para um daqueles miúdos que estupidamente acham engraçado rodear as raparigas numa discoteca e pensar "olha, és mesmo tu! bora lá!".
Eu sei que sou estranha, diferente, até talvez relativamente atrasada mental, mas não posso fazer nada! Sou assim! Se calhar até é puro e simples nojo! Não sei!
A única vez que "curti" (odeio esta expressão, parece-me sempre tão infantil) com uma pessoa que nunca tinha visto na vida, tinha eu 16 anos e estava na Arrábida com a minha prima... Fomos ter com os nossos amigos e eis que eles tinham 2 amigos novos, coisa absolutamente inovadora naquela terra sem novidades, que nós acabámos por sortear entre as duas e arranjar um pequeno romance de três dias que acabou por acabar em nada. Foi a única vez.
E pode parecer parvo, mas não tenho mesmo pena nenhuma.
Nem me apetece dizer do que é que tenho realmente pena nestas situações que não param de acontecer à minha volta... não estou assim tão mal ao ponto de não pensar nas consequências deste texto amanhã.
Mas finalmente percebi que o ambiente no BBC se estava a desenrolar entre duas amigas e dois desconhecidos e que eu visivelmente ou arranjava também um desconhecido para mim ou admitia que estava totalmente sem pés por causa dos sapatos do laçarote e vinha-me embora.
Decidi ir à casa-de-banho para adiar o momento da despedida, até porque sabia que elas não quereriam que eu me fosse embora.
Passei pelo namorado que se tinha chateado com a minha amiga e descansei-o, já que ele estava visivelmente preocupado e até já me tinha mandado mensagem a perguntar por nós (mas eu não tinha visto porque tinha o telemóvel no bengaleiro), e disse-lhe que ela tinha ido para casa.
Fiquei com pena. Tenho pena de ver namorados que às tantas estão tão próximos um do outro que não têm a capacidade de se afastarem o suficiente para verem como as suas discussões são tão insignificantes quando no fundo o que interessa é terem-se um ao outro e saberem que vão adormecer na mesma cama ainda nessa noite.
Fui à casa-de-banho, vi-me ao espelho e pensei: "Bolas Rita, afinal de contas és tão gira e se ninguém te está a dar valor neste momento é porque não estás rodeada de ninguém que te mereça!". Presunçoso da minha parte? Talvez.
O facto de me achar gira não implica que não me ache relativamente a puxar para o rechonchuda de mais.
Pousei o copo no balcão da casa-de-banho e dei-me conta de como estava a ser ridícula. Ali a dançar com as minhas amigas, a fazer um esforço enorme para me aguentar em cima dos meus pés totalmente dilacerados quando o que eu queria era ver o meu telemóvel e vir para casa.
Finalmente disse-lhes que me vinha embora. Que não fazia mal não me darem boleia, que adorei o jantar e ainda bem que vieram, mas que apanhava um táxi porque não me aguentava de pé.
Finalmente cheguei a casa... Depois de ter que parar no multibanco para levantar dinheiro porque, como sempre, nunca tenho dinheiro comigo e depois de ter ficado sem dinheiro no telemóvel e ter lançado pragas à Vodafone por se ter lembrado de cobrar mensagens estes dias quando já não estou minimamente habituada a que o façam.
Mas cheguei viva.
Já subi as escadas descalça, claro.
Mal entrei fui directa ao telefone de casa.
Tinha 3 mensagens para mandar. Uma a confirmar que cheguei bem, uma a dizer que fiquei preocupada e que amanhã falamos melhor e a última só a dizer que fiquei sem dinheiro... que não preciso que me desejes bom ano se não te apetecer, mas preferia que tivesses desejado, não vejo complicação nenhuma nisso, é só simpatia.
1.1.08
Happy New Year!
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
2 comentários:
Ate bezana consegues escrever belos textos primi!
Isso de n conseguires tar com ninguem numa noite tem mto valor.. eu acho.. tu ate podes achar ao contrario.. cada um acha sempre que o outro tem mais sorte por ser como é!nao é?
Bom Ano para ti princesa e sem duvida que és linda e que nenhum troll do BBC te merecia (nao é presunçao!)
Mil e um beijinhos que seja o ano das nossas vidas Ri!
..."Tarte de Limão ficou, estranhamente, uma porcaria" e "bora encontrar 1 gajo giro para curtir"
....
Lamento Ritinha, mas ambas as conclusões se calhar corrompidas pelo misto de sobriedade e embriaguez,q empurravam os teus dedos a escrever velozmnte o q sentias, sao um engano.
...
Acho q identico ao meu, quanto aos sapatinhos de princesa comprados no «Chinês»
beijo
Enviar um comentário