9.3.08

no reason whatsoever

Por razão nenhuma que me passe pela cabeça conseguir explicar, ando a passar uma fase assim diferente do normal nos últimos dias.

Por razão nenhuma ando sempre de rastos e com uma soneira inacreditável.
Não paro de dormir, de pensar em dormir, em quanto tempo falta para ir dormir.
Para não falar do acordar... tem sido um pesadelo. Ponho o despertador para uma hora mais cedo só para poder ouví-lo tocar centenas de vezes e no final acabo por me levantar meia-hora mais tarde do que era suposto.
O resultado? Uma manhã em que faço tudo a correr e em que o tempo não chega para os pequenos hábitos que já tornei obrigatórios na minha rotina.
Para não falar do facto de agora ter um creme fantástico específico para este rabo gordo que não tenho conseguido usar porque implica usar um outro creme para o resto do corpo e isso já são mais 5 minutos de tempo que eu não deveria ter ficado a dormir.
No final, quando já consegui finalmente decidir qualquer coisa para vestir que seja própria o suficiente para ir trabalhar mas não chique demais para depois aparecer nas aulas e não me sentir totalmente descontextualizada, quando finalmente já consegui disciplinar minimamente esta trunfa de arame farpado, lembro-me que falta sempre aquele novo hábito ao qual me tem ido tao difícil habituar-me: The Makeup (referência óbvia à grande marca que é, e que uso diariamente e com todo o zelo fervoroso de quem abomina qualquer concorrêcia, Shiseido The Makeup).
Tem sido difícil adaptar-me à maquilhagem pelo simples facto de cada vez perceber mais e mais do assunto e chegar à conclusão que ainda não percebo o suficiente de uma coisa que aparentemente é complexa de mais para uma pessoa tão pouco experiente. Pelo que aprendo, tenho os olhos descaídos, vá-se lá saber se isso é bom, mau ou simplesmente uma característica como outra qualquer. O que vale é que recentemente me disseram que gostavam dos meus olhos por isso nem fiquei muito em baixo. Mas parece que o formato do olho influencia o tipo de maquilhagem, as cores e outras tantas variedades de questões técnicas que não domino e que, por isso mesmo, fazem com que me sinta o dia inteiro uma palhaça, apesar de tentar ser sempre o mais discreta possível.
Vá lá, nem tudo são más notícias. Já faço parte dos 3% da população mundial de países desenvolvidos que dominam substancialmente o eyeliner.

Também por razão nenhuma, e já que me estou a alongar neste tema que é o meu aspecto físico, ontem fui cortar o cabelo.
Já não o cortava desde o corte mítico que fiz em Agosto e em que o cabeleireiro gay que estava a substituir o Dado decidiu que o volume do meu cabelo era simplesmente psicológico e então escadeou-o tanto que fiquei a parecer um cogumelo durante o verão inteiro.
Traumatizada e com razão, esperei 7 meses até achar que as pontas estragadas eram tantas e o aspecto já tão ridículo que ou era ontem ou eu não conseguia viver nem mais um dia. Era uma questão de vida ou morte!
E pronto, não pareço um cogumelo mas pareço a Branca de Neve, de tão mais pequeno que ficou, para infelicidade minha. Mas tinha que ser e até acho que tem o seu "quê" de fashion e que me vou habituar rapidamente.

Mais uma vez, por razão nenhuma, ontem não fui à festinha de anos Disney.
Estava marcada há meses e eu ia, com umas amigas, de fadinha da Bela Adormecida. A encarnada. Mas para mim o dia 8 de Março parecia sempre a quilómetros de distância na minha cabeça e ando tão ocupada com o trabalho e com tudo o resto que tento enfiar à força na minha vida que me dei conta que o dia 8 tinha chegado e eu nem tinha preparado nada.
Com a vontade de ir muito em baixo e tendo percebido que as outras fadinhas também já não queriam ir de fadinhas, pura e simplesmente soube que era impossível sair de casa nessa noite.
E não tinha razão nenhuma, juro que não tinha. Acho que se calhar até preferia ter. Apetecia-me poder ter dito: "olha hoje é impossível porque estou na merda porque discuti com não sei quem e estou farta de chorar" ou "olha estou sem vontade porque não paro de estudar e fui correr mil quilómetros e estou tão de rastos que acho que vou morrer".
Mas não.
Não havia razão nenhuma.
Acho que estava na merda simplesmente para dar uma boa desculpa a mim própria para não sair de casa e então inconscientemente pus-me na merda e, com as capacidades únicas que tenho, fiquei realmente na merda sem razão nenhuma, e não me levantei do sofá das 7h da tarde até à 1h da manhã a não ser para atender o telefone de casa e ouvir a minha mãe aos berros: "O TELEMÓVEL É PARA LIGAR JÁ E LIGUE JÁ ÀS SUAS PRIMAS A DIZER QUE NÃO VAI À FESTA NÃO ME OBRIGUE A SER EU A DIZER!". Sou tão criança. Já não me dava uma crise destas há anos. Que vergonha!

Também sem razão nenhuma, a semana passada e este fim-de-semana comi que nem uma alarve e não pus os pés no ginásio.
Acho que tem a ver com estar com a história.
Na terça-feira era dia de mau humor mas por acaso isso nem aconteceu. Deu-me só uma impossibilidade física extrema de ir ao ginásio fazer a minha adorada aula de Step. A partir de quarta-feira é sempre a mesma conversa, aparece um apetite incontrolável por coisas que só fazem mal e a partir daí já penso que qualquer ida ao ginásio é inútil porque nem consigo levantar o rabo do chão.
Mas não faz mal, ao menos sei que é uma coisa que passa rapidamente ao Sábado mas cujas regalias alimentares prolonguei até Domingo porque almoço de família sem pastéis de Belém é quase considerado crime.

Com certeza que também sem nenhuma razão maléfica, um ladrão simpático decidiu arrombar o meu carro, levar-me o rádio e, depois de o avariar irremediavelmente, devolvê-lo. Achei simpático. Também achei simpático ter-me estragado totalmente a fechadura e ter-me levado as minhas raquetes novas de praia.
Um brincadeira que chega quase aos 300€ que, pelo menos para mim, fazem totalmente toda a diferença.
Sobretudo quando ainda devo mais de 200€ à minha mãe e quando decidi, num momento altamente estúpido da minha vida, que apesar de estar sem dinheiro precisava de comprar calças e vestidos porque estou farta de toda a minha roupa e não tenho roupa para trabalhar.
O resultado? Apenas mais uma ajuda para não por os pés fora de casa porque estou sem um tostão e não me apetece ficar a dever mais dinheiro por isso vou-me aguentar com o que tenho até ao final do mês. Sem me queixar, claro está.



Milhentas coisas sem razão têm vindo a acontecer e que salpicaram esta semana como uma semana menos boa deste ano. Semana essa que, por sua vez, foi sem dúvida salpicada por momentos óptimos mas lá está, não tenho tempo nem cabeça para escrever sobre tudo e se misturar tudo no mesmo texto fica tudo muito incoerente.
Mas a verdade é que tenho tido tão pouco tempo para lutar contra estas coisas que vão acontecendo que me tenho deixado envolver e deixado ir um bocadinho abaixo.
Mas acho que esta fase já passou.
Amanhã começa uma semana nova e, já com as hormonas no lugar, acho que tudo vai voltar ao normal.

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