- A Rita está diferente. – Diz-me a minha Directora de Marketing, assim do nada, apanhando-me em mais um momento de profunda contemplação para lado nenhum.
- Está tudo bem, estou só cansada. – Que voz tão falsa, nem a mim própria me engano, mas é a única resposta plausível!
- Sim, mas não é a mesma Rita de há duas semanas atrás. Alguma coisa mudou. Fala uma pessoa que sente que já a conhece um bocadinho.
Fico feliz por haver pessoas que me conhecem, um bocadinho que seja. E radiante por este ambiente de intimidade que tenho criado dentro deste meu escritório de mesa redonda, em que as três não temos outra hipótese senão enfrentarmo-nos umas às outras, dia após dia.
E em pouco mais de três meses, aparentemente, conseguem ler mais no meu olhar do que pessoas que me conhecem há, se calhar, tão mais tempo e que estão comigo e falam comigo sem repararem que há alguma coisa, um bocadinho que seja, que está mais vazia no meu olhar.
Mas depois a pergunta impõe-se, e precisa, como é óbvio, de uma resposta.
O que é que se passa?
Sinto-me especialmente cansada hoje. Ainda ligeiramente de ressaca, com trabalho para fazer mas sem cabeça para o fazer da forma que queria e com assuntos a mais a pairar na cabeça.
Acho que o problema é esse. Os pequenos dramas que nascem dentro da minha cabeça como cogumelos e que, por muito que eu os tente ignorar, acabam por ser incómodos pequeninos que, todos acumulados uns em cima dos outros, não me deixam descansar.
E eu sinto-me cansada, juro que sinto.
Queria-me sentar a conversar com alguém, queria contar tudo e deitar tudo cá para fora. Queria que a pessoa que me ouvisse simplesmente dissesse que sim, que concorda com tudo, que eu tenho toda a razão. Queria que me fizessem uma festinha, um toque que fosse para eu finalmente desatar a chorar tudo o que tenho acumulado atrás dos meus olhos e que está à beira de se transformar numa catarata imparável.
Mas não. As conversas, se não impossíveis, são inúteis. A primeira reacção das pessoas é apontarem logo tudo o que eu tenho feito de errado, fazerem-me reconhecer que todas as consequências advêm directamente dos meus próprios actos e que, no fundo, sempre me tinham avisado. Isto em relação ao que quer que seja. Basicamente, no que quer que eu diga, contradizer-me parece ser a primeira opção de quem me ouve.
E isso é bom, juro que é. Na maioria das vezes é óptimo. E na maioria das vezes eu até prefiro ouvir antes os outros, os seus dramas e as suas histórias. Adoro dar os meus conselhos e até acho que eles são quase sempre bem recebidos, falo sempre com um ar muito sabido.
Mas desta vez não. Só queria desabafar.
Só queria começar a falar e não parar até deitar tudo cá para fora. Mesmo coisas que nem sei que preciso de deitar cá para fora, que faço tanta força para não me lembrar.
Tudo. Queria conseguir dizer tudo o que quisesse sem ter que pensar no que a pessoa que as ouve iria pensar de mim.
Mas agora é impossível e, por muito que me esforce, essa é uma realidade à qual me vai ser sempre difícil adaptar-me.
11.4.08
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2 comentários:
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querida...sempre que quiseres sou uma boa ouvinte!
Beijinho grande
Cris
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