7.4.08

such a fool

Há coisas que realmente nos fazem acordar, olhar à nossa volta e ver tudo com outros olhos. Como se até então houvesse uma nuvem à minha frente que me impedisse de ver tudo com clareza.
E impedia, tenho a certeza que sim. Daí eu nem escrever nada aqui. Não tinha nada para escrever porque não conseguia saber nada ao certo. E isso é estranho, quando estamos a falar de nós próprios.
Estava baralhada, confusa, confundida e todos os outros sinónimos que se possam aplicar neste caso.
Estava a evitar abrir os olhos tanto quanto costumo tê-los abertos e estava-me a deixar emaranhar numa teia criada por mim própria, feita de ilusões que nunca tiveram outra origem que não a minha própria cabeça.
Porque a realidade sempre tinha sido nua e fria desde o início. Não és nada. Isto não é nada. Isto não existe. Eram as regras e eu sabia-as. Não as quebrei, juro que não. Nada passou de nada e olhando para trás tudo o que já acabou foi um grande nada e tudo o que fica, e espero que continue a ficar, é tudo o que interessa que fique.
Fico uma ex-nada.
Mas uma ex-nada algo humilhada, claro está. Não vou fingir que não tenho orgulho. Não vou fingir que não sou miúda e que as miúdas, inevitavelmente, se envolvem sempre mais do que se esperam envolver, mesmo que não digam nada a ninguém.
E na minha cabeça este nada, que tinha começado não se sabe quando, porque nunca foi contabilizado, por não passar de coisa nenhuma, já tinha acabado centenas de vezes. Provavelmente todos os dias ou, no máximo dos máximos, de 5 em 5 dias. Criava tudo sozinha, os fins, os afinal-não, os nunca-se-sabe, os espero-para-ver.
Agora criei um fim, outra vez sozinha. Mas também pode sempre ser que não o seja. Mas como agora o meu orgulho está a voltar, eu acho que já é um fim mais certo. Mas nunca se sabe, talvez não, esperamos para ver?
E a pergunta regressa, como sempre: "acabou tutti?"
E na minha cabeça aparecem dois quadradinhos, um boletim de voto dobrado e já riscado com centenas de outras coisas. Faz lembrar aqueles papelinhos de quando éramos pequeninos e se perguntava: "queres andar comigo?". Claro que eu nunca recebi papelinhos desses.
Mas e onde é que eu risco? Até agora paro para pensar! Porque sou miúda, lá está, e porque sou querida e porque odeio ver as consequências directas das minhas acções e pensar imediatamente no que seria se estivesse riscado o outro quadradinho, custa-me fazer a cruz no Sim. Acho que não sou a única a quem custa fazer essa cruzinha.
Mas depois também paro para pensar, já de forma mais fria e racional, e penso: mas acabou o quê? Nada!
Se me estou a perguntar a mim própria se acabou o que existe na realidade, no dia-a-dia, que até é algo sustentável porque não passa disto que é: duas pessoas que se dão lindamente e que inevitavelmente falam bastante. Então não, claro que não acabou!
Agora que acabou qualquer coisa dentro da minha cabeça que nem existia, lá isso teve que ser. Porque chega sempre o dia, e antes agora que mais tarde, em que levamos com um balde de água fria tão grande que abrimos os olhos e vemos o castelo estúpido que tínhamos construido, sem o sabermos, feito de cartas a boiar sobre claras em castelo que, por sua vez, boiam em cima de água gelada. Gelada!
E o castelo nem era assim tão complexo. Nem exigia assim tanta coisa. Longe de mim! Se calhar era só feito de expectativas que eu não tinha o direito de ter porque, na verdade, ninguém me manda esperar dos outros a mais mínima das coisas. Sobretudo quando fazia parte das regras: não esperar nada.
Mas depois do nada abro os olhos e vejo os sinais todos à minha volta. Ui! Este "nada" que aconteceu desvalorizou-me totalmente como pessoa, porque uma miúda "certinha" não tem coisas deste género. Portanto agora passei da categoria das miúdas que tiveram 2 namorados seguidos de quase 3 anos para a categoria... das outras. Tão bom.


(Tenho que parar para comentar, pela milésima vez, a incapacidade que as pessoas em geral, e os meus pais em específico, têm de virem dizer o que quer que seja e de não olharem para o computador da outra pessoa. Parece impossível!)

Continuando. Se me derem, se me desses, a escolher entre continuar o "nada" ou ficar com o que temos agora. Respondo de olhos fechados: que se lixe o "nada"! Não era nada, pois não?
Mas como essa pergunta nunca irá surgir porque este nada, de tão nada que foi, nunca foi falado senão para estabelecer as regras suficientes para deixar explícito que se eu algum dia me lixasse, a culpa era toda a minha, então tenho que ser eu a criar os diálogos, as questões, os dilemas, tudo sozinha.
Não que isso não me enerve. Não que não me irrite as pessoas fazerem-se de parvas e tomarem-me por parva quando no fundo posso ser rechonchuda, algo tonta, porreira de mais, mas nunca parva! Jamais! (ler o "jamais" com sotaque em francês).
E depois chego ao limite absolutamente estúpido de escrever um texto num blog. Mas tinha que escrever qualquer coisa porque senão ainda me matavam e neste momento, em que devia estar a estudar, não me ocorre mais nada sobre o qual escrever.
Enfim, such a fool.
Já passou.
Uma noite terrível, um dia mau, e do nada, era só isso.

1 comentário:

Anónimo disse...

"...portanto agora passei da categoria das miúdas que tiveram 2 namorados seguidos de quase 3 anos para a categoria...das outras."

Talvez a frase mais parva que ouvi nas ultimas horas (só não digo "nas ultimas semanas", porque ainda ontem ouvi alguém dizer qualquer coisa como: "não é meu namorado, é só semi-namorado").
Se foi assim contigo, também foi (quase) assim comigo.
Em que é que isso nos torna pior pessoas?? Em nada, zero, rien. Tu sabes bem o que fizeste ou deixaste de fazer e ninguém tem nada a ver com isso. Mesmo. A vida é tua e tudo o que fizeste só te ajudou a crescer (eu, pelo menos, vejo isso em mim).

Claro que estas não são coisas para se falarem/resolverem via blogs e muito menos via comments em blogs, mas não resisti a comentar, até porque me senti beliscado!
Falamos pessoalmente (mesmo), nem que mais não seja só para não decidirmos nada once again, boa?

Beijinhosss.
(é mesmo preciso assinar?)

PS: não, nunca te tomei por parva. Podes ser muita coisa, mas parva e burra não és e eu...eu sei disso, posso fazer-me de parvo, mas vai por mim que eu sei disso.