29.7.08

happy vu-day

É certo e sabido que qualquer rapariga nova, e como nova defino entre o pós-adolescência e pré-idade de já ser mãe de filhos, sonha certo dia ser como qualquer uma das personagens do Sexo e a Cidade. Talvez sem uma vida íntima tão visivelmente exposta ao mundo exterior mas eventualmente cada uma de nós, a dada altura, já sonhou em ter aqueles sapatos perfeitos, aquele emprego de sonho, aquele estilo único e, como é óbvio, viver em Nova Iorque e casar o Mr. Big.


Ainda assim, e sem saber o que a esperava naquela noite, não era nisso que ela pensava. Até porque já tinha decidido que já tinha perdido tempo de mais do seu dia a pensar em roupa e outras futilidades materiais, após chegar à conclusão que valia a pena gastar muito mais dinheiro e levar o seu próprio carro para as férias de Verão, apenas para poder levar todas as malas que quisesse sem ninguém a julgar. As raparigas são assim, e ela não era diferente.


Mas como já disse, já não eram esses assuntos que ocupavam a sua cabeça. Era o final do dia, mais um dia que tinha corrido bem, embora com bastante trabalho mas isso é sempre bom e sempre melhor que trabalho nenhum para fazer, e a viagem ao longo da marginal, a caminho de Lisboa, parecia melhor que nunca.


Ao chegar aos Meninos do Rio, ainda ninguém tinha chegado. A menina dos anos e a noiva estavam atrasadas. Mas não faz mal, pensou ela para com os seus botões, é de maneira que consigo ler um bocadinho. Até porque tinha decidido que tinha que acabar aquele livro antes das eminentes férias, o que dava uma média calculada de 61 páginas por dia e, às 7h30 da noite, ainda não tinha lido nem uma. Ia ser uma noite longa se não pegasse já no livro!


Por muito cliché que possa ser o sítio, cheio de gente com bom aspecto e que tira as medidas a tudo o que por ali se passeia com uma minúcia assustadora, é realmente um sítio perfeito para se passar o fim de tarde e esperar pela meia-noite para dar os parabéns à menina dos anos. E ainda bem que ela organizou esta festa, senão a menina dos anos nunca o teria feito, com a mania que agora fazer anos não é nada de especial quando se trata, veja-se bem, do único dia do ano em que podemos exigir para nós próprias todas as atenções possíveis e imaginárias!


Elas lá chegaram quando a organizadora do festa, ou vá lá, do pequeno encontro, estava entretida entre frases soltas do livro e mensagens que não paravam de chegar ao telemóvel. Não deve ter adiantando grande coisa nos 20 minutos que esperou e o mais certo é que não se deite muito cedo até por a leitura em dia. Ninguém percebe porque é que ela impõe regras a ela própria, sabendo à partida que ninguém estará preocupado, senão ela, em saber se ela as cumpre. Mas infelizmente, porque ela não deve bater bem da bola, essas acabam mesmo por ser as regras que ela mais cumpre. Todas as outras, ela tem uma habilidade nata para as conseguir ignorar quando mais lhe convém.


Quando a menina dos anos e a noiva chegaram, ela pensou na sorte que tinha em ter as amigas que tinha. No meio de tanta gente gira, elas eram, de longe, as mais giras! As amigas dela! Uma sorte. E era uma sorte também acharem que ela ficava bem de cor-de-rosa e que parecia tão gira nesse fim de tarde. Nada poderia correr melhor quando, do nada, surge uma garrafa de champanhe em cima da mesa. Cortesia dos senhores da mesa ao lado, diz o empregadito, e até insiste em dizer-lhes que a garrafa custava a módica quantia de 58€, não fossem elas achar que os senhores eram uns forretas e tinham escolhido qualquer coisa abaixo de Moet&Chandon que era, de facto, o caso.


Que alvoroço e que nervoseira miúda pois nenhuma delas sabia o que fazer. Dirigiram pequenos sorrisos de agradecimento aos dois senhores, que até nem tinham mau aspecto, mas ficaram sem saber se haveria alguma etiqueta específica a seguir em situações como aquelas. Era uma estreia! Será que os deviam convidar para a mesa delas? Será que lhes deviam só dizer obrigada e ignorar totalmente a situação? Mas 58€ eram 58€!


Eventualmente conseguiram dizer ao pequeno empregado de mesa que lhes dissesse que fossem brindar com elas e passado um momento de cerimónia, lá veio o senhor mãos largas, de seu nome Diogo, brindar com elas. Rapidamente o seu amigo se juntou à festa e ficaram a saber que apesar de se chamar Fabrício tinha uma alcunha muito chique, da qual se esqueceram rapidamente.


Duas imperiais e duas garrafas de champanhe depois, a animação era total. Já se sentiam melhores amigas dos novos amigos e até já estava prometido que seriam convidados para o casamento da noiva! E lá chegou a quarta amiga, para se juntar à festa. À partida poder-se-ia pensar que ela não iria aderir muito à estranha novidade de ter dois estranhos sentados na mesa que a esperava, até porque nenhuma das suas amigas se encontrava totalmente sóbria, como seria de esperar. Mas não, rapidamente entrou na conversa e deliciou-os a todos com as suas habituais histórias e aventuras que envolvem assaltos à mão armada e raptos de crianças inocentes. E é impressionante como de cada vez que ela conta as suas histórias, tem o dom de fazer parecer com que seja a primeira vez que as conta, fazendo-nos rir como se nunca as tivéssemos ouvido na vida!


Discretamente, a organizadora da festa deu-se conta de que um dos amigos novos, o tal Diogo, que a cada momento que passava dava conta de ser uma pessoa igualmente simpática mas também estranha e reservada, se preparava para pedir a terceira garrafa de champanhe. Que exagero, já eram 10 horas da noite! Mas ela é incapaz de ser desagradável, de maneira que consegue sussurrar à menina dos anos: "Olha! Não o deixes pedir a terceira garrafa… estou cheia de fome!". E ela lá o impediu a tempo, felizmente.


Como era de esperar, não se podiam pura e simplesmente levantase e ir jantar ao restaurante ao lado sem convidarem os novos amigos, de maneira que eles lá as acompanharam num belo bife na Portugália, bem servido com o típico molho e cheio de batatas fritas. Escusado será de dizer que as três amigas que estavam nos Meninos do Rio desde as 7h30 da tarde estavam mais bêbedas que sóbrias e que o mais certo é terem sido uma companhia maravilhosamente divertida para os dois fulanos que nem perceberam a sorte que lhes caiu em cima para jantaram com quatro beldades sem igual!


A questão aqui é a seguinte: onde é que já se viu programa mais inesperado mas, ainda assim, mais divertido? Aqui é certo, já não há nenhum cliché e nem o maior habitué dos fins de tarde à beira do rio Tejo poderia prever tal desfecho para uma noite calma entre amigas que aguardavam ansiosamente a meia-noite para salpicar a menina dos anos de beijinhos repenicados.


O jantar decorreu animadamente e a meia-noite lá chegou, entre vários desenhos nas toalhas de mesa do vestido de sonho da noiva e entre o escrever apressado de moradas dos amigos que ficam agora a esperar ansiosamente um convite para o casamento de uma pessoa com a qual tiveram apenas umas horas divertidas de um dia de Verão bem passado. Mais inesperado, não podia ser!


Depois de terem cantado os parabéns por cima de um pudim da casa iluminado com vários isqueiros, a noite deu-se por terminada. Após imperiais, muito champanhe e ainda um insistente Licor Beirão depois do jantar, já estava tudo entornado de mais para se conseguir abstrair do facto de que já não faltavam assim tantas horas para voltar ao trabalho. Os novos amigos trabalhavam ora na banca ora no sector imobiliário. E ainda bem que assim o era porque fizeram questão de oferecer tudo às encantadoras senhoras ao longo de toda a noite e elas, ainda jovens e na casa dos 20 e poucos, não são conhecidas por chegarem àquela época do mês, mesmo os últimos dias, cheias de dinheiro para gastar em jantares, de forma que se deram por bastante satisfeitas.


De volta ao carro e agora dando boleia à noiva até casa, ela não conseguia parar de pensar, e comentar!, o quão engraçado e mesmo surreal tinha sido todo aquele episódio. Nunca, jamais, se viu um desfecho tão engraçado para aquilo que era apenas um simples encontro entre quatro amigas que queriam por a conversa em dia e dar um beijinho de parabéns à meia-noite à menina dos anos.


Se os rapazes tinham outras intenções, isso elas vão ficar sem saber. Ninguém deu a entender nenhum interesse especial por nenhuma delas mas elas, espertas que são, não deixaram passar despercebida a oportunidade de virem a obter bilhetes gratuitos para o Sudoeste, festival ao qual nenhuma faltará certamente.


Foi resumidamente, uma noite inesquecível e que será, sem dúvida, repetida vezes e vezes sem conta entre gargalhadas únicas e repetições de todos os momentos hilariantes. Ela deixou a noiva em casa e antes de a noiva sair, ainda lhe disse "vou para casa escrever isto no meu blog!", ao qual a noiva respondeu: "faz isso faz, para eu me poder rir amanhã!".

E assim foi, uma noite muito mais interessante que qualquer noite passada em Nova Iorque no enredo do Sexo e a Cidade.

Quando ela voltava para casa, já sozinha e novamente a percorrer a marginal em direcção a Lisboa, deu por si a rever todos os momentos da noite desde que saíra do escritório. Há realmente momentos inesquecíveis e tão imprevisíveis que só de pensar na probabilidade de eles algum dia se virem a repetir chegamos mesmo a acreditar que não chegaram a acontecer.


4 comentários:

Anónimo disse...

Sem dúvida o texto e a história mais espectacular de sempre.

Anónimo disse...

Ahh esqueceste-te de dizer que o Bife da Vazia/Mãos largas/Diogo, quando viu a ritinha deslumbrante de cor de rosa, vinda da casa de banho, e com o seu sentar à mesa muito elehgante, ficou vidrado!
Quando digo vidrado é tão vidrado que só visto!!! Até eu fiquei "intimidada" por ti com aquele olhar!
A tua cara valia por mil!

Ri disse...

JURO que só me apetecia atirar-me ao rio! O gajo olhava para mim, a 30 cm de distância, sem piscar os olhos como se eu tivesse um alvo desenhado na cara! Estava em pânico não sabia o que fazer!
Felizmente passou-lhe rapidamente a obsessão!

:P

Anónimo disse...

Era um alvo era!!! Chama-lhe alvo!!
Ja expliquei q tavas deslumbrante!!!! lolo