O meu cabelo acabou de crescer aqueles 2 centímetros necessários para deixar de ser estranho e voltar a ser comprido. Ainda bem. Depois da mudança radical de visual em Janeiro, passou uma fase intermédia em que a franja já não era franja mas não me saía da cara e o cabelo tinha um tamanho enervante e um formato semelhante ao de um cogumelo, que me deixava bastante incomodada.
A culpa é desta minha mania de dar oportunidade aos cabeleireiros mais perto do escritório por achar que andaram todos na mesma escola quando na verdade se calhar está na hora de admitir que é preciso abrir os cordões à bolsa para não voltar a passar por uma fase-cogumelo durante mais uns meses.
Enfim, isto não tem nada a ver com o que me traz hoje à blogosfera.
Ontem fui jantar com duas amigas com quem já não estava há um ano e meio.
Sempre nos demos bem e sempre foram pessoas com quem estive à vontade e a conversar sobre tudo e mais alguma coisa.
A conduta de vida delas, que a mim sempre me pareceu chocante e de certa forma totalmente o oposto daquilo que sempre fui, sempre me divertiu e fascinou. Tudo o que me é totalmente desconhecido me fascina, é inevitável.
E divertia-me o facto de estar por dentro da cabeça daquelas miúdas que fazem tudo aquilo que eu sempre me recusei, vá lá, por até ter um certo respeito por mim própria, e ver que afinal nesses comportamentos não existe maldade nenhuma mas sim uma necessidade absoluta de diversão, procurada nitidamente nos locais errados.
Nunca as julguei. Também nunca lhes menti. As minhas opiniões também as divertiam e a minha versão dos acontecimentos, apesar de ser recebida em galhofa, penso que sempre teve mais impacto do que aquele que elas davam a entender.
Por exemplo, são as únicas amigas com quem sempre falei abertamente sobre sexo. Mas quando digo abertamente, digo realmente abertamente. Não falo de jogar ao “eu nunca”, em que ficamos com uma análise abrangente do grupo de amigas inteiro e em que chegamos à conclusão que todas fizemos e fazemos o mesmo.
Não. Falo daqueles pormenores que achamos sempre que os rapazes comentam em grupo nas nossas costas quando afinal compreendemos que eles até nos respeitam, não comentam nada, e nós comentamos tudo e mais alguma coisa, esquecendo o limite do que se devia e do que não se devia. Limite que sempre existiu apenas na minha cabeça, claro. Para elas é o mesmo que falar de fruta.
E portanto foi divertido fazer um update do último ano e meio a nível profissional, pessoal, amoroso e, como sempre, sexual.
Entre risotas e histórias, e admito que o meu último ano e meio teve histórias suficientes para este blog e muitos mais, chegamos finalmente ao ponto em que comentamos as relações presentes e passadas.
E é aí que eu entro na parte de embasbacada quando oiço relatos de relações que duram anos mas que no meio têm outras relações escondidas, casos escaldantes dignos de filmes picantes de Hollywood, verdadeiras tramóias pregadas às pessoas de quem, supostamente, gostam.
E cheguei a uma conclusão terrível.
Para a explicar tenho que voltar um bocadinho atrás.
Eu tenho um namorado, como é sabido. Que adoro, ainda mais óbvio. E ele tem uma coisa bem divertida que é ter uma imaginação fértil em que imagina os casos mais mirabolantes que eu possa eventualmente ter, acompanhados das mais perspicazes estratégias de dissimulação que poderiam alguma vez passar pela cabeça de alguém.
E isto não me incomoda por aí além porque sempre disse, pelo menos até ontem, que nenhum ser humano é capaz de tamanha traição à pessoa de quem gosta. Sobretudo se somos apenas namorados. E digo “apenas” por não sermos mais do que isso, ou seja casados, ou seja com uma obrigação mais séria de mantermos a nossa relação.
Ora, o meu raciocínio, sempre perspicaz, é o seguinte: se somos namorados, é porque queremos; se queremos, é porque gostamos um do outro; se gostamos um do outro é porque encontramos, um no outro, tudo aquilo que nos faz felizes; se temos tudo o que nos faz felizes, não precisamos de mais nada.
Eventualmente, se nos faz falta qualquer coisa, e se somos “apenas” namorados, então Ala que se faz tarde, vou procurar o que me faz falta noutro sítio porque, afinal, se me faz falta é porque tu não me dás, se não me dás não devo gostar de ti, logo, não quero ser tua namorada.
A mim, parece-me um raciocínio lógico que empurraria, achava eu, qualquer teoria de traição para fora dos parâmetros da relação feliz.
Achava eu.
E depois oiço estas histórias. Namoros de anos em que há casos de meses e meses com pessoas do trabalho. Mensagens apagadas a caminho de casa, juntamente com os relatórios de entrega e os registos de chamadas. Viagens, passeios, até fazer amor!, com outra pessoa na cabeça. Flores recebidas e levadas para a casa onde já se vive com o namorado e que se finge que se compraram. Viver na mesma casa com o namorado e com as flores do outro.
Coisas que sempre achei impossíveis mas que estranhamente me pareciam familiares. Onde é que eu já ouvi histórias tão impossivelmente arrepiantes?
Já sei. Na imaginação do meu namorado.
E portanto ontem, pela primeira vez não fui sincera com as minhas amigas. Não lhes disse o que pensava porque, em primeiro lugar não serviria de nada e depois elas iam-me achar uma tonta. Mas o que eu queria dizer era o seguinte:
- Olha a culpa é tua. A culpa do meu namorado fazer filmes é tua, toda tua. Porque ele imagina coisas inacreditáveis que não é suposto serem nunca praticáveis por seres humanos conscientes e afinal não lhe posso dizer que aquelas histórias não existem. Porque existem. E a culpa é tua. Agora não me posso defender com o típico “Quem faria uma coisas dessas??” porque agora a resposta existe. Aparentemente, uma miúda com a mesma educação que eu, gira, civilizada, educada, trabalhadora, simpática. Podia ser eu. Mas não sou, e como é que o provo? Fica difícil. E porquê? Não sei, mas a culpa é tua.
- E também é tua a culpa de eu ter tantas dúvidas em relação ao casamento. Porque imagino uma mulher de sucesso, com uma família de sonho e a vida que sempre quis, casada com o homem da vida dela e com três filhos pequenos, a luz dos olhos dela. E afinal imagino o marido de sonho dela a ter um caso com uma miúda de trabalho. E porque é que imagino isto? A culpa é tua, que és a namorada dele e não te consegues por no lugar dela. Que não imaginas a decepção dos filhos se alguma dia descobrirem, que nunca mais olham para o pai de mesma forma e que não compreendes que um dia, quando fores tu casada e se isso te acontecer a ti, nunca poderás dizer que não o merecias.
Como é que isto é possível??? Penso na cara que fiz quando te fiz esta mesma pergunta e na tua cara a responderes-me, a meio da história entusiasmante que relatavas como quem relata um novela “ah, sim, é essa parte que queres saber”.
E oiço o chorrilho de disparates, verdadeiras desculpas que só têm validade dentro da tua cabeça, que fazem com que consigas acordar e adormecer todos os dias. Ele também nunca foi fiel. Ele a mim ama-me, é verdade. Só não a larga porque eu nunca lhe pedi. Não pára de me mandar mensagens, ainda nem começámos a jantar e já me mandou seis. Por favor! Mensagens enviadas em casa enquanto janta com a mulher? Quem quer essas mensagens?
Enfim, enervei-me agora a escrever isto.
Ao meu namorado só me resta dizer que vou até ao fim do mundo para lhe provar que seria incapaz de tal coisa, seja ela qual for das acima relatadas. Faço tudo o que for necessário. Mas lá que não me apetecia ter esse esforço todo… isso não me apetecia.
A mim parece-me tão óbvio que sou boa pessoa e que nunca o magoaria. Mas afinal… ela é também é boa pessoa, juro que é. Como é que eu consigo provar que não sou assim?
Enfim, fica para as cenas dos próximos episódios.
19.5.09
a culpa é tua
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4 comentários:
Bem, depois do primeiro comentário com conclusões precipitadas devido à leitura em diagonal do teu post e do segundo com erros de pontuação que lhe retiravam o sentido, à terceira é de vez: Eu diria que os comportamentos que descreves são de mulheres há muitos séculos chamadas p***s, ou v***s, que são óptimas para diversão apenas (e com pouca confiança), para quem usar as pessoas (e serem usadas)é um modo de vida e que, quando caem nelas, as que caem, quando lhes começa a desaparecer a carita (e o rabito!) laroca dos 20s, entram em depressão e mudam de rumo, ou não caem mesmo nelas, já não é defeito, é feitio, lol, e continuam a "carreira" progressivamente mais cheias de maquilhagem, cigarro no canto da boca, voz grossa, etc. Atenção que sou o mais possível a favor de amor e sexo livres e em quantidades maciças, mas desde que com RESPEITO. Mas realmente é difícil encontrar uma verdadeira mulher com carácter para ter uma relação completa hoje em dia. É óbvio também que ainda te falta muito para saber o que é amor (digo isto com toda a humildade de quem também não sabe totalmente, mas que já suspeita e que também sabe que muitas vezes o importante é o caminho e não a chegada)e que este talvez tenha mais a ver com respeito, honestidade e aceitação do que com jogos, paixão, idealização, etc. No entanto, este últimos são fantásticos e excitantes desde que não os ponhamos como prioridades quando realmente nos queremos relacionar profundamente com outro ser humano. Quanto à última parte, com todo o respeito, parece-me que te estás a desvalorizar muito (issimo) com essa necessidade de "provar" e que existe aí muita insegurança tanto da tua parte como da parte do teu namorado com esses jogos pueris. Se eu tivesse esse tipo de dúvidas ou pensamentos quanto a uma namorada "a serio", ela deixaria imediatamente de o ser, se é que me faço entender. Obviamente que ninguém me "encomendou o sermão", mas como isso é um blog e é público, fica o comentário. Parabéns pela escrita sem erros de ortografia(uma raridade hoje em dia).
O Blog é Publico, é verdade, mas isso não dá o direito de julgar e de certa forma insultar quem escreveu e como escreveu este assunto!è uma transmissão de pensamentos e sensações que são dirigidas a quem realmente conhece a autora e não a pessoas exteriores à Sua vida!
Deve haver seguramente, dezenas de Blogs que realmente apelam à opinião de todos os leitores da blogosfera e para os quais penso que terias o perfil ideal!
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