Esta é a situação em que a namorada típica ficaria chateada.
Não que tivesse razão, que isso normalmente nunca se tem ou dificilmente é uma prioridade. Mas lá que ficava chateada, isso ficava.
Há assim uma série de situações que, mesmo sem razão para tal, entram inquestionavelmente no campo de situações pelas quais temos o direito de nos chatear, mesmo sem necessidade. Isto é assim uma verdade globalmente aceite, faz quase parte da lei dos relacionamentos.
Tão verdade que os próprios namorados já conseguem prever e, sem questionarem, até aceitam!
(E isto por muito estranho, ou mesmo estúpido que pareça. Estúpido de ambas as partes.)
É tipo sair à noite. Vais sair à noite? Podes ir, não me importo. A sério, fico bem, hoje queria ver televisão. Ah mais vais mesmo?? Chegaste às 6h? Estou a ver essa noite, depois admiras-te que eu também vá. És inacreditável.
E, de uma forma qualquer absolutamente miraculosa, este argumento absolutamente estúpido é impressionantemente aceite por ambas as partes como válido e ele dá-lhe razão, provavelmente para a calar, e ela fica realmente amuada, como se lhe valesse de alguma coisa.
Ainda esta semana jantei com as minhas amigas, uma lufada de ar fresco a meio de uma semana de trabalho de doidos, e uma delas fez uma queixa semelhante do namorado.
Acha indecente, vá-se lá ver, que ele queira ir para o Sudoeste de bicicleta com os amigos. Vai demorar 5 dias, vai dormir sabe-se lá onde, cada dia num sítio diferente. Um programa totalmente fora do normal.
Esta perspectiva de “namorada” é das coisas mais enervantes que existem.
Apetece-me, e tentei, dar-lhe um abanão (apesar de que apenas verbal) e dizer-lhe:
- OI! Esse programa é o máximo! Qual é o teu problema??
E ela ficou pasmada…
- O máximo? De bicicleta? Só rapazes? 5 dias?
E eu fico sem resposta. Ela entrou na filosofia de pensamento em que tudo o que não existia previamente na relação só surge para arruinar uma estabilidade que, na minha opinião, é mais forçada que real. E contra isso não há argumentos.
E como eu própria, no passado, já fui mais que vítima da facilidade que é entrar nesse rodopio obsoleto de falta de capacidade de raciocínio, tentei ao máximo, nesta minha relação que todos os dias me continua a parecer tão recente, nunca ser assim.
Uma mistura de defesa para não me deixar magoar outra vez tão facilmente mas também uma vontade enorme de não me transformar na namorada infernal em que todas nos tornamos passado um tempo, tentei desde o início usar a cabeça na gestão diária de uma relação que, se já o era no início continua a ser agora, é perfeita.
Para isso foi preciso, nada mais nada menos, do que avaliar cada situação pelo que ela é e não pelos padrões pré-estabelecidos de tudo aquilo a que tenho “direito” de me chatear só porque sou namorada, menina e, claro, insuportável.
Assim sendo, as discussões, se surgiram, foram raras. Os amuos, sempre temporários. E até os meus ataques de mau feitio, que admito que os tenho, acabam por passar quase sempre com uma simples gargalhada.
Mas hoje está a ser mais difícil vestir a camisola da namorada inteligente e que sabe que, no fundo, lá no fundo, não tem razão para se chatear.
Há dias em que não há tanta força, há situações menos fáceis de contornar. Dias em que me apetece ser só a menina birrenta e arranjar mil razões, inventadas mas quase plausíveis, para o encher de culpa e me compensar com toneladas de mimos.
Sei que não posso ser assim e também não vou ser aquele outro tipo de namorada, igualmente horroroso mas também tão frequente, que não diz o que tem, ou diz que nada tem, mas fica de trombas todo o dia. Esse tipo de namorada que também já fui.
Ora ou há um problema ou não há. Fazer género é que não, que eles são rapazes e se paciência têm pouca, percepção para ler nos olhos o que se passa, ainda têm menos!
E portanto tenho passado a minha manhã a tentar engolir esta grande bola de orgulho que me está entalada na garganta. Mas empurro com água, com razões lógicas, com argumentos válidos… e ela não desce.
Hoje não. Hoje quero os mimos. Hoje quero que me perguntes mil vezes como é que foi a minha noite, se estive bem. Porque não estive.
Posso não ter razão, sei que não fizeste nada de mal, nada por mal. Sei que gostas de mim e que tens tomado as decisões melhores para me proteger.
Mas parte de mim ainda é criança e namorada-tonta e quero fazer a minha birra à vontade e quero que me compreendas… Mesmo que seja só para me calar.
15.5.09
tonta
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2 comentários:
Coitado!
adoro a maneira q escreves, ao menos vou sabendo de ti, mais q normal isso q tas a passar! tb m acontece, ele pergunta logo se n ta p vir a historia lolol!
às vezes so queremos mimos, muitos mimos...
beijinho apertadinho
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