É engraçado como às vezes é tão fácil desabafarmos com aqueles amigos com quem não estamos, ou falamos, todos os dias.
É quase uma injustiça para quem gosta tanto de mim e me acompanha diariamente, sempre disposto a fazer de tudo para que o meu dia corra bem.
Mas a verdade é que mesmo os amigos de fora, e sim, existem amigos de fora e que não deixam de ser amigos por não fazerem parte do círculo mais próximo, conseguem sempre ter uma visão mais imparcial das coisas. E nem é tanto imparcial por não tomarem partidos, é mais pelo facto de não estarem tanto dentro da situação que os seus conselhos acabam sempre por ser genéricos para situações semelhantes e não uma análise aprofundada do meu estado de espírito, que é coisa que nem sempre me apetece.
E portanto uma imperial ao final do dia com bons amigos que pouco aparecem, ou aos quais pouco apareço, transforma-se sem esforço num desabafo inesperado, com direito a olhos húmidos e tudo, que entre golos de cerveja numa tarde de calor tórrido no meio das avenidas cosmopolitas de Lisboa, me alivia tão mais do que eu algum dia poderia ter pensado.
Esquece-se a dor alucinante no pé, esquece-se o aperto desconfortável na barriga que me tem vindo a seguir e contra o qual não estou a conseguir por uma “restraining order” e rapidamente viaja-se no tempo para uma época tão recente como há um ano atrás mas tão remota como outra realidade, porque agora é tudo tão diferente. Fala-se do passado como quem fala dos tremoços que estão à nossa frente e a simplicidade com que a conversa flui deixa-nos sempre a matutar porque será que não estamos todos juntos mais vezes.
19.6.09
imperiais ao fim do dia
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