18.6.09

sei lá!

“Não sei porquê, não ando nada bem”.
Numa conversa de messenger, vá-se lá ver, sai-me esta frase. Ao menos digo-a à pessoa indicada, a única pessoa com quem converso no messenger no trabalho, um hábito que me ficou dos tempos de ócio do emprego anterior ao anterior e que ainda hoje me faz regularmente por a rodar os bonequinhos azul e verde à volta um do outro para ir mandar um “oi” diário de boa tarde.
Mas pessoa indicada só mesmo por isso porque, de resto, não há pessoa indicada no mundo, ou na minha vida, a quem largar uma bomba assim.
Para mim, que estou sempre bem e que sou normalmente quem consola tudo o que me rodeia, dizer uma pequena frase como esta, inesperadamente e a meio de discussões sobre miradouros e arraiais no Largo do Carmo amanhã à noite, é o mesmo que despejar a pior notícia possível e imaginária.
E agora vem a parte do “não andas bem porquê?????” e eu bloqueio. Sei lá! É isto que me enerva, por isso é que não há pessoa indicada para eu largar uma bomba assim. Toda a gente me faria inevitavelmente esta pergunta e eu, também inevitavelmente, nunca responderia.
Sei lá eu… Só sei que não ando.
Alguma coisa está mal, não sei bem o quê.
Daí que não tenho escrito.
Uma pessoa começa a pensar que não está bem quando vai jantar com as amigas e elas todas dizem “tu não andas nada bem…”. E, sem querer, fica-se a pensar naquilo. Pois não, não ando, como é que elas sabem? Nem estão comigo diariamente, aparecem para tomar um café depois de jantar e em 10 minutos tiram esta conclusão? Ou são perspicazes de mais ou ando rodeada de cegos no meu dia-a-dia que não conseguem ver isso.
Mas depois, pensando um bocadinho mais, óbvio que já não estava bem antes disso, elas podem ser perspicazes mas, que eu saiba, ainda não têm o poder de me induzir estados de espírito com a simples força da palavra.
Enfim, só não estou.
Estou lenta, pensativa, com manias. A tentar não pensar de mais e a pensar de mais nas tentativas constantes que faço para não pensar de todo.
Como se tivesse medo das conclusões a que chegaria se realmente parasse para pensar. E aí é que está. Esse é o busílis.
Por isso não me perguntem o que tenho... porque isso faria com que eu realmente tivesse que arranjar uma resposta e, para isso, teria que a encontrar. E não sei se estaria preparada!
Só não estou bem.
Mas acho, mesmo, e quero mesmo, que já passe.

1 comentário:

Benedita disse...

olá querida!
Há realmente estas alturas, em que sabemos que não estamos bem e simplesmente temos medo para ir até ao fim do pensamento para saber o que relamente nos está a incomodar. E temos esse medo, porque não sabemos como o havemos de o enfrentar. No fundo sabemos o que nos chateia, mas não queremos nem pensar nele nem escrevê-lo e muito menos dizê-lo em voz alta!
Faz um esforçe e vais ver que depois de "desafares" com alguém, sentes-te muito melhor!
Beijinhos