30.8.07

Um balão mais vazio

Falta um bocadinho mínimo de mim. Há um bocadinho de mim que está triste. Com menos energia, com menos vontade de sorrir.
Se calhar é suposto. Se calhar faz parte.
Se calhar é como tu dizes. Se calhar o nosso coração tem diferentes compartimentos e precisamos, cada vez mais e à medida que crescemos, de os ter preenchidos.

Se calhar até tem compartimentos que desconhecemos porque nunca ninguém os encheu de amor, porque ainda não chegou esse tipo de amor. Mas depois de chegar, uma vez que seja, por um segundo que seja, precisamos dele para sempre.

Imagino estes "compartimentos" como pequenos balõezinhos que, quanto mais cheios estão, mais ar têm lá dentro.
Quando não têm nada lá dentro ficam vazios, pequeninos, e o vazio que causa o espaço que deveriam ocupar não nos deixa descansar nunca. É um vazio que nos acompanha sempre.
E às tantas isto é triste porque no fundo tenho um balãozinho vazio e não posso fazer nada por isso. Nada que o tenha enchido no passado, que me tenha deixado preenchida e ao meu coração, existe agora. Mas também não quero que nada disso volte.
O que me preencheu outrora não o faria neste momento. Porque o balãozinho não se enche só com o amor que recebemos, mas também com aquele que sentimos. E esse amor eu sei que já não sinto.
No entanto, habituei-me a ter esse bocadinho de mim preenchido e constantemente alimentado e pergunto-me se será que só me vou voltar a sentir eu própria, completa e preenchida, quando esse balãozinho voltar a estar cheio.

Porque não queria, não queria mesmo, ser dependente disso.
Queria que todos os outros bocadinhos de mim que estão tão satisfeitos com tudo o que faz parte da minha vida fossem suficientes. Queria que eles percebessem que há um espaço em branco no meu coração e que todos eles inchassem mais um bocadinho para ocupar esse espaço.
Queria sentir que tudo o que tenho, porque já tenho tanto, é suficiente.
Mas há tantas vezes em que sinto que não é... Momentos em que tenho saudades de alguém que nem existe, de palavras que nem sei quais são. Vontade de partilhar, de dar mais de mim, a uma pessoa que nem sei quem é. Nem quero saber. Sei que este não é o momento de ter uma pessoa assim na minha vida.
E, ainda assim, se calhar este vazio pequenino que não me larga faz mesmo parte desta fase que eu tenho que passar. Para crescer, para ser mais forte, para ter força para continuar.

Se calhar é assim que eu estou porque é assim que eu tenho que estar.
Se calhar esta fase só vai passar quando eu deixar de querer que ela passe.
Quando aprender a gostar de mim sem precisar que outra pessoa goste mais do que eu.

Até lá vou ficando cada dia mais satisfeita com tudo o resto que tenho. Porque estou, isso é verdade.
Amigos como nunca, uma família cada dia mais perfeita, um trabalho que cada vez gosto mais e tantos, tantos outros pormenores da minha vida e tantos momentos pelos quais espero ansiosamente, para os quais faço contagens descrescentes todos os dias que passam.

Todos os pequenos compartimentos do meu coração que têm ar lá dentro, quase que rebentam de tão cheios que estão. E eu só tenho que estar feliz por isso. Só tenho que me mentalizar que tudo isto é, tem que ser, suficiente para eu ser feliz. Porque eu sei que sou feliz.
Em relação ao que falta... Talvez esteja na hora de compreender que se calhar faz parte fazer-me falta neste momento da minha vida.

1 comentário:

Maria e Quico disse...

Sabes que me deixas muito vaidosa e babada com a transcrição de uma frase minha para este teu espaço.
Sou uma cunhada muito orgulhosa da família que ganhei e quero que todos os meus novos irmãos (porque cada um de vocês, mais do que cunhado, é um irmão) estejam felizes, por isso trata de encher esses baloisitos todos depressa - mas deixa um espacinho para o Jaimito que quer muito soprar um balão colorido do coração da tia Rita!