Maldade é não me deixares fugir.
Maldade é não me deixares ir embora, sobreviver, lutar por mim.
Não foi maldade teres acabado comigo, não é maldade teres namorada.
Maldade é custar-te compreender que eu consegui, que consigo viver sem ti. Maldade é não tolerares esta minha sobrevivência e vires esmagá-la.
Sempre te disse que faria tudo por ti até ao dia em que deixasses de o querer. Era verdade. Nunca te menti. Nunca, em dois anos e meio. Se calhar achas isso normal mas acredita, eu sempre tive tendência para ser relativamente mentirosa. Nunca te menti. Lutei por ti, fiz tudo por ti até ao dia em que deixaste de querer que eu o fizesse.
Não foi suficiente? Querias ter tido mais de mim, de nós? Se calhar não havia mais, se calhar foi por isso que foi necessário acabarmos.
Eu nunca teria acabado contigo. Eu sei isso, toda a gente sabe isso. Se calhar nem era pelas melhores razões, se calhar era porque vivia naquela letargia, estava sem forças. Ainda assim, estava feliz.
Mas tu acabaste.
Se te posso culpar? Não, não posso. Ninguém manda no que sente. Nunca te culpei.
Não te persegui, não te chateei, não te aborreci. Dei-te o teu espaço.
Tinha que lutar por mim.
Durante dias não dormia, comia de mais, doía-me respirar, doía-me existir. Descia as escadas do escritório a correr porque imaginava que me podias fazer uma surpresa, ia a correr para o telefone porque achava sempre que podias ser tu, procurava-te em todo o lado, apesar de saber que nunca ias aparecer.
Era inevitável que a dor, mais cedo ou mais tarde, começasse a diminuir.
Já me tinham avisado, toda a gente à minha volta, que no dia em que eu ficasse bem tu voltarias a falar comigo.
Não sabia que as coisas eram assim tão previsíveis. Aliás, eu não sabia nada. Era tudo novo para mim. Nunca ninguém tinha acabado comigo.
Vieste falar comigo. Nos últimos 3 meses fartaste-te de o fazer. Nunca fui falar contigo.
Sempre que falámos, discutimos.
Quase sempre que falámos, chorei.
Sempre que já estava bem, voltavas-me a deitar abaixo. E voltas, e voltas, e voltas.
Isso é maldade.
Não é maldade ter-te escrito um texto quando fizeste de tudo para te odiar. Quando me provocaste até aos limites da sanidade (como sempre, aliás).
Será que contas isso às pessoas a quem mostras esse texto? Pessoas que ficam com vontade de me cuspir na cara, como tu dizes?
Será que lhes contas que não me deixas em paz, mesmo quando já tens a tua vida? A tua namorada?
Será que sabem que sempre que falamos, ficas tão irritado que rapidamente me começas a insultar?
Será que sabem que não consegues falar comigo 10 minutos seguidos sem fazeres alusões ao passado, ao que vivemos, ao que recordas, ao que eramos, àquilo que agora te decepciona em mim?
Porque é que repetes tantas vezes para eu não deixar de ser como sou? Achas que é por ti que o faço? Achas que a minha preocupação é a tua opinião? O que pensas de mim?
Eu só quero sobreviver!
Maldade não é publicar no meu blog um texto que não te sabe bem ler. Não foi maldade escrevê-lo. Era o que estava a sentir no momento. Pedi-te para não lhe dares importância, disse-te que para mim não tinha importância. Contaste isso às pessoas a quem o mostraste? Ou disseste que eu até me tinha rido quando me telefonaste?
Maldade é dizeres-me, passados 3 meses, que compreendeste que se calhar achavas que íamos ficar juntos mais tarde. Sempre soube que achavas isso.
Achavas que ia ficar à tua espera? Imaginar-te com outra pessoa e pensar que era normal, que um dia voltaria a ser eu?
Só te peço para me deixares sobreviver, para me deixares lutar por mim.
Para de me fazer chorar. Para de me fazer sentir tão desesperada ao ponto de quase me querer magoar a mim própria.
Não tens esse direito. Já passaram 3 meses. Não tens o direito de ainda me fazer sentir assim.
Não me telefones. Não fales comigo. Não mandes mensagens.
Segue a tua vida e por favor, por favor, deixa-me seguir a minha.
A quem é que vais mostrar este texto, agora?
9.8.07
Maldade
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário