Há uma característica minha que penso que a generalidade das pessoas tem tendência a ignorar. E, apesar de o ignorarem por eu fazer por isso, tenho que admitir que isso é uma coisa que me enerva bastente.
E essa característica minha é que, de facto, eu me chateio.
Sim, chateio-me com coisas, sou humana. Não me chateio com tudo o que chateia a normalidade das pessoas e verdade seja dita odeio esta associação criada entre o conceito de rapariga e o constante histerismo com coisas que são um exagero constante e um abuso total das pessoas que as rodeiam. As crises de fome, de sede, de horror a bichinhos, de doenças despropositadas, de dores de cabeça, de barriga, de medo disto ou daquilo. Tudo pequenos trunfos que uma rapariga inteligente poderia e deveria guardar para utilizar quando mais fosse apropriado, por ainda existir aquela réstia de respeito e consideração por raparigas, mas que se tornou numa generalidade absurdamente mariquinhas de pessoas que se tornaram vítimas das suas próprias manias e que já nem sabem ser normais.
Seguindo em frente, sou contra manias e a maioria das coisas, à partida, não me chateia.
Não tenho medos (sem contar com o dentista mas estou a superar esse trauma), não tenho dores, não tenho horrores, não tenho fobias nem tenho manias.
Não que não saiba fingir de forma absolutamente exemplar qualquer uma destas atitudes se a situação o exigir, claro está, mas à partida sei ser uma pessoa desprendida dessas tentativas desesperadas de chamar a atenção.
No entanto, e era aí que eu queria chegar, também eu me chateio com coisas.
O problema é que me chateio com muito poucas e, mesmo quando me chateio, tenho muito pouca tendência ou necessidade para o partilhar com quem me rodeia, já para não falar da pessoa que me chateou.
Isto leva, inevitavelmente, a que as pessoas abusem de mim achando, na sua ingenuidade quase estúpida, que eu não me dou conta! Para mim, que nesses momentos não tenho grande necessidade de dar a entender que de parva tenho muito pouco, chega quase a ser divertido. Até ao momento em que deixa de ser. Em que vejo estampado na cara dessa pessoa que sim, desta miúda, desta criança, pode-se usar e abusar, sem dar qualquer explicação, porque ela está sempre bem, sempre a sorrir.
E a verdade é que, em grande parte, a culpa disto é minha. A verdade é que quanto mais chateada fico, e na tentativa desesperada de não desagradar às pessoas que me rodeiam, sabe-se lá porquê esta minha mania, não páro de me rir.
No entanto, há umas quantas pessoas, vá lá, quatro ou cinco no máximo, que me topam à distância. Que me vêm a mandar uma boca qualquer, de sorriso na cara e a rir-me genuinamente, e digo genuinamente porque a verdade é que na altura é provável que me esteja mesmo a rir, e me dizem logo: "Ai miúda... esse teu mau-feitio!". E é engraçado que essas pessoas o dizem com a maior naturalidade de sempre e nem se apercebem do seu dom único para me verem como se eu fosse um acetato e nem vêm que todos à nossa volta ficaram a pensar: "Mau feitio? Porquê? Ela estava-se a rir... aquilo era a gozar!". Que levante o braço (ou deixe um comentário) quem me disse este fim-de-semana que eu tinha mau-feitio e que, portanto, viveu tal e qual esta situação talvez sem se aperceber que é uma dessas quatro ou cinco pessoas.
Continuando, decidi deixar aqui umas pistas para que os restantes mortais que acham que eu sou um pequeno palhaço que se ri de tudo e que está bem com tudo e que jamais vai explodir por se sentir totalmente abusada, possam talvez interpretar aqueles momentos em que os seus abusos foram longe de mais.
Antes de mais, as narinas. As narinas são um factor inegável de que estou furiosa. Ainda hoje me aconteceu. Mandaram-me calar. Mas não foi um professor e nem foi de forma simpática tipo "oh míuda cala a boca...", que isso a mim pouca diferença me faz. Foi mesmo um "cala-te!", já nem sei a propósito de quê, mas num tom totalmente enervante e desrespeitador.
Como penso que tinha acabado de dizer uma piada, apesar de provavelmente não ter tido muita piada para me terem mandado calar nesse tom, ainda me estava a rir e a rir continuei. A pessoa que me mandou calar também olhou para mim a rir, certamente a tentar medir se teria abusado ou não. Se essa pessoa tivesse olhos de ver na cara, teria reparado nas narinas. Por muito que me esteja a rir, as minhas narinas fazem assim um formato estranho e para quem me conhece vê-se, à distância, que estou furiosa. Furiosa!
Outra coisa é estar a morder o lábio. Isso já não é tanto sinal de fúria mas mais sinal de estar, pura e simplesmente e por muito que não queira falar sobre o assunto, nem sobre esse assunto nem provavelmente sobre mais nenhum, de péssimo humor. Mas isso já é menos incomodativo porque o meu mau humor não é muito alterado pelas minhas interacções com as pessoas que me rodeiam. A não ser que me irritem, mas isso é raro.
Eu sei, eu sei que o problema está em mim que tenho esta incapacidade total de dizer o que sinto e de olhar para uma pessoa e dizer "mas achas que estás a falar com quem?". Tenho sempre os meus subterfúgios pessoais que passam, provavelmente quase sempre e neste caso em específico, por olhar para a pessoa, sorrir, franzir as narinas e pensar "nem me vou dar ao trabalho...".
Mas claro que eventualmente e quando vejo que as pessoas só param mesmo quando se lhes diz alguma coisa, claro que fico chateada! Será impossível as pessoas saberem impor barreiras a si próprias sem ser necessário outra pessoa dizer-lhes: "olha, sabes que és um bocado desagradável?".
Não sei... é um tema de reflexão.
No fundo, só queria dizer que sim, que também me chateio. Que posso não mostrar, que posso não ter interesse em mostrar e que posso não estar minimamente interessada em mostrar quando é que devia mostrar e não mostro. Mas isso não é desculpa, vamos lá a ver, para me confundirem com uma pessoa estúpida! Por favor!
29.1.08
Cala-te!
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5 comentários:
Continuamos sem ver fotografia da Gueixa na festa da empresa...
Bjs, CA
Querido/a CA: amava saber se és alguem que conheço ou não.
E tens toda a razão, espero que te possa tratar por tu, por ainda não ter posto nenhuma fotografia vestida de Gueixa mas a verdade é que o espectáculo não é assim tão bonito.
No entanto, prometido é prometido e estou apenas à espera que toda a gente ponha as fotografias que tirou na rede da empresa para eu poder escolher a menos má.
Ri
hehe acuso-me! Fui eu que disse "Ai Rita.. Esse teu mau feitio.." é que não tens escapatória! Mas tiveste razão, o mais certo era teres vindo connosco, por isso este fim de semana prepara-te. O Tomás nasce na 2f e a Inês tem que andar muito para facilitar o parto, ou seja, vamos passar o sabado e domingo em andamentos;)
Hello...gostei do teu blog...finalmente consegui descobri-lo, e parece agora que ja te conheço um pouco melhor! De facto escrever é um dom...
Beijinhos
Cris
Cris,
És mt mt bem-vinda!
:)
Estou em estudos profundos.
Beijos
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