23.9.08

fresh air ...please

Era capaz de, assim de surra e sem ninguém reparar, dar um pequeno pontapé no escadote do senhor que me está a arranjar o ar condicionado e ele caía redondo no meio do chão.
Não que tenha alguma coisa contra ele especificamente, claro que não. Tenho mais contra os ares condicionados ligados para me regelarem até à medula, programados para 17 graus centígrados quando se está muito bem com a temperatura real, seja ela qual for. Daí que o facto de ele o vir arranjar vai apenas contribuir para o meu mau feitio incontrolável.
Não sei, isto é só uma opinião. Mas no Inverno, quando estão 17º, eu estou de gola alta e até, possivelmente, de luvas ou cachecol. No entanto, há por aí pessoas, e tenho a sorte de ter logo duas fechadas comigo na mesma sala, que acham que pronto, se está um bocadinho de calor, e eu acredito que possa estar apesar de eu não sentir calor nenhum, o ideal será mesmo levar com um vento gélido em cima da cabeça e ficar até a pingar do nariz como se estivesse a nevar.
É engraçado. Eu por mim aniquilava toda a esta raça da terra. Este tipo de pessoas que não sabem respirar ar puro e mal se encontram em algum lado fecham janelas e portas para conseguirem respirar todo o ar que esta bonita máquina lhes despeja para cima. Vá-se lá ver, o que seria, respirar-se um bocadinho de oxigénio verdadeiro… vai na volta ainda se apanha uma alergia valente e aí termos sarilhos!
Até porque, se pararmos para pensar, não estamos nem no pingo do Verão, nem no pingo do Inverno, nem em nenhum país com temperaturas extremas insuportáveis. Estamos em Portugal, com o nosso clima temperado, é início de Outono e está um dia lindo e uma temperatura óptima… Mas não! Estamos três pessoas fechadas na mesma sala e abrir uma janela pode trazer alguma infelicidade terrível, como entrar luz… ou ar! Vamos rodar um pouco os estores novos, são tão giros, porque a luz ainda nos pode fazer dores de cabeça. E a janela é melhor ficar bem fechada para podermos ligar o ar condicionado que já funciona, que sorte!

Mas pronto, não posso apagar da minha existência esse tipo de pessoas porque ainda ia abranger pessoas como o meu pai e outras tantas ou quantas pessoas das quais até seria capaz de sentir falta eventualmente.
Daí que seja mais simples, pura e simplesmente, livrar-me dos senhores que vêm arranjar os ares condicionados, dando um pequeno pontapé no escadote e o senhor a ir para o hospital com uma lesão qualquer insignificante que o permitisse fazer tudo o que quisesse na vida, menos voltar a subir escadotes para arranjar ares condicionados.

Mas calma, eu não queria escrever nada em que fosse tão evidente que esta situação me deixa, diariamente, algo chateada.
Era só uma introdução para outro tema qualquer que se iria seguir, porque tenho que recomeçar a escrever qualquer coisa que não desista passado um parágrafo.
E juro que esse tema, fosse qual fosse, não era continuar a maldizer a salinha na qual me encontro neste segundo específico…
Mas! Há sempre um mas! Vejam se me acompanham neste raciocínio e vejam se será que tenho, ou não, razão.

Vieram montar estores novos. Bem bonitos, que correm para os lados e abrem a partir do meio e deixam descoberta uma parede inteira de vidro que nunca, nunca vai estar visível porque a natureza é o pior inimigo do Homem! Vieram também arranjar o ar condicionado, disso já falei.
E não podemos esperar, certamente, que os três senhores que estiveram mais de meia hora enfiados aqui dentro a fazer trabalhos físicos árduos cheirassem bem… Claro que não.
E o que fazer quando se vão embora?
Já sabemos que as janelas foram construídas para estarem fechadas, os fechos e puxadores são pura coincidência e também desconhecemos a existência de velinhas com um cheiro bom, fazer uma pausa e ir arejar enquanto a cheiro sai da sala. Nada disso.
Cheira mal? Põe perfume.
Perfume!
Numa sala mínima!
Perfume é tóxico!
Tem álcool!

E calma, há perfumes e perfumes.
Não estamos a falar de por, por exemplo, o meu perfume, que é um belo exemplar e ainda assim eu dispensava ter que o respirar tão intensamente.
Também não estamos a falar de por o perfume de qualquer uma delas, não.
Estamos a falar do momento em que pegam no terrível frasquinho verde, do qual tenho pânico desde que entrei para aqui, e borrifam toda a sala de cima abaixo com aquela fragrância repugnante. E nem vou falar do facto de ter a minha garrafa de água aberta e portanto agora já nem água posso beber porque deve saber a perfume verde.
Estamos a falar, nem mais nem menos, de um perfume descontinuado.
Descontinuado porque já não está à venda, foi retirado, não existe.
Foi retirado porque não vendia.
Não vendia porque era péssimo. Uma vergonha. Um enjoo.

E é a isso que sabe a minha boca, que cheira a minha roupa, o meu cabelo, o meu ser!
A perfume verde!

Preciso tanto de apanhar ar.

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