Estou farta de fingir. Não sei sequer porque é que tenho tido esta atitude nos últimos tempos, se é uma defesa para aguentar os dias que passam, se é consequência de ter passado tanto tempo com uma pessoa que competia comigo em todos os aspectos da minha vida e me fez não mostrar o que sentia em tantas coisas, para não sentir que estava sempre a perder.
Mas agora não tenho competições na minha vida e neste momento preciso de desabafar, nem que seja só por hoje. Preciso de dizer que chega, que basta de fingir que estou feliz no meu trabalho. Porque não estou. Odeio isto. Odeio.
Odeio tudo aqui. Não odeio tanto o trabalho que tenho, que até é tolerável, mas odeio a forma das pessoas aqui trabalharem. Odeio estar rodeada de gente obsoleta e envelhecida que se recusa a evoluir, que tem técnicas erradas e que vão contra tudo o que eu estudei.
Odeio as conversas, já odeio até os passos, as vozes, os toques do telemóvel. Meu Deus! Os toques do telemóvel! Os telefones que não param e as conversas que são fúteis, vazias e desnecessárias.
Amanhã é o meu dia de anos e eu estou tão agradecida por tudo o que tenho, estou tão feliz por fazer anos, por estar rodeada de bons amigos que me fazem sentir lindamente. Mas tenho mesmo que dizer uma frase que me tem vindo à cabeça cada vez mais frequentemente:
No meu dia-a-dia, no meu trabalho, no sítio onde passo mais tempo acordada do meu dia, eu estou profundamente infeliz. Sou profundamente infeliz aqui sentada nesta cadeira encarnada, nesta sala linda de morrer decorada à minha medida, que eu trocava num abrir e fechar de olhos por um open space partilhado com 50 pessoas, desde que o meu trabalho me motivasse.
Não consigo fingir mais que tudo corre bem.
Tento-me concentrar diariamente nas partes boas, nos meus almoços ao sol, na proximidade de casa, de amigas com quem posso almoçar, do restaurante do meu pai, mas não dá. Todos estes pormenores são apenas suficientes para me darem força para me levantar da cama todas as manhãs e vir para aqui, automaticamente, mas não são suficientes para me fazerem feliz. E eu até achava que tinha o direito de ser feliz!
A minha mãe mudou agora de emprego e é impressionante ver uma pessoa de 52 anos a ir para um emprego em condições absolutamente inesperadas e ainda por cima fazer uma coisa que ela adora, com pessoas de quem gosta e com um ambiente que, finalmente, vai ser maravilhoso. E porquê?
Porque é óptima, claro, mas sobretudo porque teve oportunidade de mostrar que era óptima.
Se calhar eu até sou óptima, não sei, mas eu nem tenho oportunidade de o mostrar a ninguém!
Porque é que ninguém quer sequer tentar ver se eu até tenho jeito para alguma coisa?
Pior ainda, porque é que ninguém, sequer, me diz que NÃO quer sequer ver se eu sirvo para alguma coisa?
Já não me interessa quem é que lê o meu blog, se amanhã chego cá e se todos, por coincidência, até vieram cá ver o que eu escrevi. Nem quero pensar em chegar aqui amanhã.
O que me interessa é que vou fazer anos e que, quando penso no meu trabalho, me sinto a pessoa mais infeliz do mundo inteiro. Apetecia-me levantar agora da cadeira, chegar ali ao gabinete do lado e dizer mesmo: "Sabe uma coisa? Sou completamente infeliz aqui."
Tenho isto entalado na garganta, mas vou-me controlar porque não é assim que as coisas funcionam e, sinceramente, não sei se será muito grande o interesse das pessoas que aqui estão em saber da minha felicidade ou da minha infelicidade.
Vou continuar a concentrar-me nas partes boas da minha vida, a minha família espectacular, as minhas amigas de sonho, os meus anos amanhã, a minha festa na 6ª, o meu dia de anos surpresa no Sábado, o meu globo que estou ansiosa por receber, a minha viagem a Macau, a minha PG já a começar na 2ª...
E da próxima vez que me perguntarem o que é que eu estou a fazer, vou continuar a responder, com um sorriso na cara: "Trabalho numa agência de marketing! Gosto imenso!". Porque é assim que eu sou, porque se deixar de ser assim, deixo de ter força para aguentar o meu dia-a-dia.
Posso apenas rezar e esperar para que não seja assim durante muito mais tempo.
19.9.07
Chega de fingir
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