12.9.07

Setembro

Adoro Setembro. Não sei se consigo explicar bem porquê.
Ah, é porque fazes anos!
Não, não é por fazer anos. Se bem que adoro fazer anos.

Setembro sempre foi, para mim, o regresso à vida, à rotina, a Lisboa.
Enche-me uma calma inexplicável que me diz que o Verão já passou mas que nem faz muito mal, porque agora até já apetece um bocadinho de Inverno.
Só um bocadinho, podia ser só um mês, mas apetece.
E é por isso que esta noite está a chover como já não chovia desde o Inverno passado e nem me incomoda. Uma tempestade linda e uns relâmpagos estrondosos que, sem assustarem, assustam sempre um bocadinho.

Talvez seja por eu adorar novos inícios. Novas oportunidades de começar sempre de novo.
Setembro sempre teve, para mim, mais peso como início de um novo ano do que a passagem de ano propriamente dita.
É em Setembro que voltamos a entrar em grande na nossa vida, é em Setembro que fazemos planos para a longa jornada que é o Inverno. Que não passa de uma série de meses em que, ao contrário do Verão, passamos mais tempo a cumprir obrigações do que a descansar.
É quase como se fossemos hibernar. Entrar nesta fase do ano que é mais automática que outra coisa qualquer. A contar os dias para todas as pequenas oportunidades de nos divertirmos um bocadinho mais que o normal. Venha o Natal, venha a Passagem de Ano, venha o Carnaval e depois, finalmente, que comece a vir o bom tempo para que possamos deitar cá para fora o nosso espírito tão português que não é o mesmo quando o sol não brilha.

Ainda assim, e mesmo sabendo que se aproxima a época mais difícil do ano, adoro Setembro.

Para já, Setembro ainda é Verão.
É em Setembro que são aqueles últimos dias de praia em que já vestimos uma camisola antes de o Sol se por. É em Setembro que os banhos quentes começam a saber melhor, logo de manhã, porque já saímos da cama com um bocadinho de frio. É em Setembro que reencontramos toda a gente que não vimos durante o Verão ou, mesmo que tenhamos visto, é em Setembro que nos voltamos a ver em Lisboa, que é sempre totalmente diferente.
Em Setembro gosta-se sempre mais de Lisboa.

E este ano não houve grandes férias em destinos longínquos e ainda assim Lisboa parece-me a cidade ideal para se estar este mês. O movimento aumenta mas ainda não há caos. Os que tiveram férias começam a chegar, uns atrás dos outros, e estranhamente tenho tantas aventuras de férias para contar como as que sempre tive nos últimos anos.
O velho cliché que dizia que o que interessa é a qualidade e não a quantidade faz agora mais sentido que nunca e posso até dizer que cheguei a ficar cansada da verdadeira montanha russa que foi a minha catadupa de fins-de-semana de férias.

Mas, claro, não posso dizer que não esteja feliz por fazer anos.
Adoro fazer anos. Adoro mesmo.
E não adoro por nenhuma razão nobre qualquer como querer partilhar este dia com aqueles que fazem com que a minha vida faça sentido, etc etc, apesar de isso ser sempre verdade.
Não. Adoro mesmo porque sou, e vou ser sempre, uma criança que adora atenção, surpresas e muitos, muitos parabéns.

E se todos os anos fico sempre num constante estado de ligeira histeria quando se aproxima o grande dia, este ano isso ainda é mais evidente. E porquê? Porque temos uma festinha!
De facto, não me dedico minimamente a uma festa de anos para mim própria desde os meus 18 anos e, antes disso, a única festa que tive que adorei foi a minha festa surpresa, quando fiz 16.

Óbvio que por festinha falo simplesmente de um pequeno jantar, mas a verdade é que estou entusiasmada e é a primeira vez que isso me acontece em imenso tempo.
Não me apetece fazer nada de formal nem nada de importante, quero simplesmente poder jantar e saber que as pessoas que estão comigo estão lá porque querem festejar comigo o meu dia de anos (ou o dia seguinte, neste caso). E não é esse o objectivo de qualquer jantar de anos?

Voltando a Setembro.
Quem me dera que este espírito de Setembro durasse mais tempo.
Esta felicidade pelo Verão que passou e esta ansiedade por tudo o que se aproxima.
Tantos projectos, tantas hipóteses.
A Pós-Graduação a começar e eu tão entusiasmada que já estudo como se tivesse exame no primeiro dia de aulas, a viagem a Macau que está à porta e eu que vou finalmente matar esta bola gigante de saudades do meu irmão e da Mary.
Acho que é sobretudo esta vontade enorme de viver todos os dias que me esperam, sempre com força para continuar a aprender à custa de tudo o que me rodeia e sempre à espera daqueles momentos especiais que fazem com que dias inteiros valham a pena. Como um banho quente na primeira manhã fria do fim do Verão.

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