20.9.07

Era uma vez ...os 4

Porque nem todas as aventuras são a 5 e nem todas imaginadas pela Enid Blyton ou pela Isabel Alçada. Há aventuras que são a 4 e que são tão maravilhosas quanto as que líamos em crianças. Melhores ainda, porque foram verdade.
Se calhar podia escrever um livro sobre elas, ou tantos livros quantos são os livros de Uma Aventura. Já nem sei quantos são, que lhes perdi a conta e o interesse perto do 50, mas as aventuras destes 4 foram com certeza muitas mais.
Talvez não tenham tido bandidos nem pistolas, raptos nem ameaças, mas tiveram a parte boa que nos fazia querer voar para dentro dos livros, e que me fazem a mim, tantas vezes, querer voltar atrás no tempo.

Eles eram 4. Três amigos e um cão. Juntos passaram momentos únicos, que mais ninguém testemunhava porque ninguém acordava tão cedo quanto eles, ninguém nadava tão longe, ninguém subia tão alto.
Eram eles um avô, dois netos e um cão. Numa família de gente, já de si, morena, eles eram os 3 quase negros como carvão. Os dois netos, e melhores amigos, pareciam dois pretinhos de caracóis no ar, com a pele escura do sol e do pó que se agarrava no meio de tantas aventuras.
Chamavam-lhes meninos de chocolate, mas mais a ele que a ela, que o Tico-Tico sempre foi mais moreno.

O palco das suas aventuras era, sem sombra de dúvidas, a Arrábida. Era aí que se encontravam, Verão ou Inverno, fizesse chuva ou fizesse Sol, fossem 4 semanas de férias ou fossem pequenos fins-de-semana alternados.
Eram tantas as madrugadas em que o avô os acordava para irem até à praia ver o Sol nascer no mar... Custava-lhes sempre sair da cama, diziam sempre que não queriam, mas acabava sempre por compensar...
O Cognaque a correr pela areia e nós os 3 a ver a sorte que tínhamos por termos uma casa no paraíso, por termos um sítio onde as aventuras eram ifinitas e, sobretudo, por ainda serem 7h da manhã e o dia ainda mal ter começado!

Fosse nadar até tão longe, fosse construir castelos na areia, fosse subir a serra a pé, até ao convento, para depois descer de rabo e chegar a casa uma bolinha de lama. Fosse ir a Alportuche apanhar pedras para os canteiros da avó, fosse abrir caminhos pelo meio das árvores que a Natureza teimava em fechar.
Nada os parava, nada nos parava. Eramos incansáveis.

Dos 4, já só resta um, só ela.
Uns partiram quando já estava na hora e outro muito, muito antes de ser suposto, mas hão de estar sempre juntos, e a Arrábida vai estar cá para testemunhar.
O dia 20 de Setembro era o dia de anos do Cognaque, mas também o da Rita. E ainda bem que era o dia de anos do Cognaque, senão nunca ninguém se ia lembrar dos anos dela, pelo menos é o que dizem, ainda hoje. E eu não me importo, sempre soube que era a brincar.

Neste dia voltam sempre as saudades das trocas entres ossos e presentes de anos. Voltam também saudades das aventuras a 4, sempre com um misto de pena de não termos aproveitado tudo tanto quanto deviamos e com uma pitada de raiva e dor por nos levarem pessoas que ainda deviam cá estar.

Ainda assim, parabéns Cognaque, que faria hoje 23 anos!

3 comentários:

madau disse...

Sempre quis fazer parte dessas aventuras! Devem ter sido mto boas.. só agr é que me apercebi que só resta um elemento.. mas estão todos no meu coração:)

Parabens ao chonhaque!!!

Ok ta bem.. à Riiiii também :D

Ri disse...

Pi, nunca me vou esquecer do ar trágico com que um disseste "Se o cognaque morrer juro que nunca mais volto a sorrir!" :P lol ainda bem que não foi assim que a minha vida sem os teus sorrisos nem sei o que seria!!

Maria e Quico disse...

Minhas queridas Rita e Madalena,
Daqui do outro lado do globo não há nada melhor do que perceber que ganhei a melhor família do mundo.
Maria