17.9.07

Um mundo de presentes



No Sábado, durante um simpático jantar com os meus pais e a minha avó, esta última decide perguntar-me: o que é que a minha netinha quer de presente de anos?
Provavelmente, a pergunta nem foi bem esta mas, passados 2 dias, é assim que a recordo. Mas até podia ter sido, que a minha avó é amorosa e fala mesmo assim.

E esta pergunta, para aqueles que me conhecem minimamente, não é uma pergunta que eu goste de ouvir. Não, claro que não. E porquê? Não gosto de saber o que vou receber, não gosto que me perguntem, não gosto de responder. Aliás, não respondo.
Não vale a pena a insistência, gosto de surpresas.

Gosto de uma coisa embrulhada e de não saber o que vem lá dentro, gosto de saber que tenho um programa Sábado pelas 16h30 e que não faço a menor ideia onde a Filipa me vai levar.
Não acho que seja pedir o fim do mundo, é isso que faço quando os outros fazem anos! Ou já alguém me ouviu perguntar o que é que queria receber de presente? É que, se ainda por cima ouviu, era com certeza a gozar porque eu nunca daria nada que me tivessem pedido.

Não há nada a fazer, sou assim com presentes. Tenho horror à ideia de dar/receber dinheiro e tenho horror a presentes que sejam coisas que eu precise imenso. Coisas que eu preciso imenso, eu compro-as quando preciso, não espero pelos anos ou pelo Natal.
Irrita-me sobretudo haver uma coisa que eu precise imenso e que a minha mãe me daria em qualquer circunstância, porque é daquelas coisas básicas que uma pessoa precisa, mas depois ela aproveita porque o Natal está a chegar e oferece-me de presente de Natal com o maior sorriso do mundo por ter acertado em cheio numa coisa que eu queria.

Fico passada.
Se fosse Outubro, dava-me normalmente num Sábado de manhã porque eu precisava mesmo disso e depois ainda recebia uma surpresa no Natal, mas como é Dezembro "mata 2 coelhos de uma só cajadada" e eu é que fico a arder.
Impossível.

Continuando, a minha adorada avózinha faz-me esta pergunta e eu, qual boneco automático que ouve a mesma pergunta várias vezes, apesar de cada vez menos vezes porque felizmente as pessoas já deixaram de me perguntar, quase que lhe respondo naquele tom que roça os limites da boa-educação: "Não quero nada obrigada avó, não se precupe!".
No entanto, algo em mim me impediu de "cuspir" esta resposta e veio ao de cima um desejo que tenho tido ultimamente que, aliado à proporação gigante de criança que ainda há em mim, me fez abrir os braços em bola, para a frente, e dizer, com o maior sorriso que devo ter feito nos últimos tempos: "Quero um globo!".

Só quem me conhece é que pode imaginar a minha cara de perfeita felicidade ao imaginar a possibilidade de ter um globo enorme para poder viajar em sonhos de dia e de noite.
De facto, tenho falado muito do globo ultimamente e tenho andado algo insuportável a saber de cor todos os Estados Unidos (já sei as capitais também!), todos os países da Europa e as suas capitais e, para mal de quem me rodeia e que acha que estou a ficar ligeiramente demente, os países de África.

Não há nada a fazer, é uma paixão que eu tenho.
Tenho descoberto ultimamente que tenho uma necessidade absoluta de aprender, de saber cada vez mais. Não tenho culpa, não é controlável.

Como se não fosse suficiente já saber a matéria toda que vou aprender no 1º bloco da Pós-Graduação, ultimamente tenho sentido que tenho que treinar a minha memória. E como adoro o mundo e todos os seus países, continentes, mares, rios, pessoas, culturas, religiões... Estou radiante por poder conhecê-lo como a palma da minha mão já que ainda não tenho hipótese de partir à sua descoberta.


Estou ansiosa pelo meu globo. Não preciso que ele seja gigante, só quero que tenha tamanho suficiente para eu conseguir ver todos os países do mundo. E tem que ser actual, fiz questão de dizer isso à minha avó. Não quero cá Jugoslávias, Rússias mil vezes maiores do que são hoje em dia nem países inexistentes.
E depois vou colar com uns autocolantes muito pequeninos que são só umas bolinhas coloridas, que eu tenho lá para casa porque antigamente a minha mãe organizava os CDs por tipos de música, quando os CDs eram novidade. Autocolantes verdes para os sítios onde eu já fui, autocolantes azuis para os sítios onde eu quero ir, autocolantes encarnados para os sítios onde estão os meus pen-friends, que provavelmente também devem ser sítios onde eu quero ir.

Nem sei onde o vou por, porque não tenho mais espaço no meu quarto para o que quer que seja, quanto mais para um globo terrestre!
Só agora é que referi que o globo seria terrestre, mas foi porque me pareceu óbvio... haverá, sequer, mais algum tipo de globo?

Moral da história: tenho falado tanto do globo que, se alguém pensava em oferecer-me um, já não é preciso que a minha avó vai-me dar. Mas obrigada à mesma e podem-me sempre dizer "por acaso até te ia oferecer!" que eu fico radiante por saber a intenção, porque era mesmo aquele presente com o qual eu me iria passar. Desde que seja verdade, claro!

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