Acontece que a A17, tal como a minha mãe queria que ela existisse e mesmo como até já vem representada no mapa, foi totalmente fruto da sua imaginação. Ou talvez não tanto, porque ela até vai existir, mas só daqui a um ano. Por enquanto, nada.
Mas a verdade é que passámos parte da tarde à procura dela e nem sinais. Resultado? Estávamos à procura de uma estrada que a minha estimada mãe jura a pés juntos que percorreu há 2 semanas atrás mas que, no entanto, ainda não está completa.
Eventualmente lá a encontrámos, uns 70 Km. abaixo do que era suposto e lá chegámos a Lisboa sem ser pela A1, evitando o trânsito de toda a santa família que foi passar o fim-de-semana grande à santa-terrinha.
E chegámos altamente relaxas e rejuvenvescidas. E não podia ter sido de outra maneira, depois de um fim-de-semana de mimo, mimo e mais mimo.
E dado por quem? Por amantes apaixonados que vivam em função da nossa existência? Não. Tenho que admitir que nem amantes apaixonados nos poderiam relaxar tanto quanto nós estávamos a precisar.
Vou explicar, aliás vou tentar resumir mas eu tenho imensa dificuldade em escrever pouco, como foi este meu segundo fim-de-semana na Curia. O resultado de eu não conseguir escrever resumidamente já eu sei qual é! Vêm-me dizer "Ai Ritinha eu até adoro o teu blog mas escreves textos tããããão compridos que eu perco a paciência!"... É isso e lembrar-me da Otília, professora de português lá do Rainha, a dizer que quem não conseguia resumir um texto não ia conseguir fazer mais nada da vida. Se calhar é por isso que tenho o emprego que tenho ...não sei.
No primeiro dia, depois de ter passado a meia hora habitual no ginásio (sem fazer grande esforço, admito, porque não estava para aí virada), lá me fui enfiar na piscina termal a 36º.
Não consigo explicar bem porquê, mas adoro aquilo. Sempre adorei piscinas interiores, fazem-me lembrar umas férias que passávamos em pequenas no Hotel do Vimeiro em que apesar de estar óptimo tempo lá fora adorávamos ficar na piscina interior. Isto até ao dia em que apereceu um cagalhoto no fim da piscina. Mas juro que não fui eu, a sério. Tenho que admitir que durante a minha infância até arrisquei um xi-xi ou outro, mas isso era normal. E até tinha o seu lado de adrenalina. Sobretudo na piscina da Tia Nela, lá na Arrábida, em que ela dizia que quando fazíamos xi-xi se acendia uma luz encarnada e tocava um alarme. Era tão óbvio que era mentira que ela merecia que se fizesse xi-xi, só para aprender a lição.
Na Curia não fiz. Aliás, somos obrigados a ir à casa-de-banho antes de entrar na piscina. Por quem nos tomam? Um desplante.
Depois de algum tempo totalmente em êxtase e quase com o coração a parar, porque até tenho tensão baixa e não posso ficar muito tempo em ambientes muito quentes, lá vem uma senhora que me chama para um canto da piscina e que me faz uma massagem com uma mangueira que ela lá tem e que deita água a cerca de 293 km./hora, ou seja, se por acaso ela me desse com o jacto directamente na pele provavelmente fazia um buraco e eu morria.
Mas é óptimo. Com o jacto debaixo de água, ela massajou-me o corpo todo mas dava assim umas voltas à mangueira para a água não vir nunca directamente e não me magoar. Parecia que me cortava pedaços de pernas... mas não, infelizmente quando eu olhava ainda lá estavam as pernas inteiras.
Quando saímos da piscina-quente-gigante era hora da massagem Vichy.
É a coisa melhor do mundo.
Vou para uma sala onde está uma senhora de fato-de-banho à minha espera. Mas não era uma senhora boazona, que isso ia-me fazer sentir infeliz com a minha figura de biquini e ia ficar constrangida. Aliás, acho que eles pensaram nisso de propósito e as senhoras de fato-de-banho são sempre assim gordinhas até.
A sala parece uma mesa de operações, que eu até sei como elas são porque já vi nos filmes e nas séries. Tem uma mesa no meio onde eu vou deitar o meu belo corpinho e por cima tem um suporte do tamanho da tal mesa (ou cama), mas que em vez de ter luzes tem jactos de água que não param de deitar água e água termal. Pensando bem parece mais uma daquelas mesas centrais que as cozinhas modernas agora têm, na qual eu sou o jantar em plena preparação.
Deito-me lá e a senhora de fato-de-banho enche-me de um creme qualquer (constantemente, claro, porque a água está sempre a lavar tudo) e faz-me uma massagem maravilhosa nas costas inteiras que dura ainda um bom bocado. Saio de lá como nova para dentro de um duche de vapor, que explico daqui a bocado o que é. Sim porque isto parece que está a ser inventado à medida que eu escrevo mas na verdade até tive bastante tempo ao longo do fim-de-semana para pensar no que ia escrever e as coisas até têm uma ordem específica.
Tudo isto seria perfeitamente suficiente para tratamentos do primeiro dia mas esqueci-me de referir que às 10h30 da manhã já tinha ido fazer o meu peeling facial e massagem refirmante de rosto. Não posso dizer que tenha adorado o processo em si. Não consigo evitar, tenho mesmo um bocado de nojo de ter uma pessoa a encher-me a cara de cremes, máscaras, esfoliantes e produtos de limpeza.
A verdade é que o resultado final foi maravilhoso. A minha pele está perfeita, sem imperfeições nem borbulhas, sem olheiras (pelo menos até amanhã de manhã) e posso mesmo dizer que se já tivesse rugas, elas teriam desaparecido! Ultimamente tenho sempre duas borbulhas insuportáveis na testa, uma de cada lado da cara e mesmo na linha de cabelo, que me doem horrores e se parecem horrivelmente com corninhos. Chamo-lhes as Margaridas, em homenagem. Felizmente estão sempre tapadas pela minha trunfa descomunal mas a verdade é que não escaparam às mãos implacáveis da estéticista e vi-me livre das Margaridas pelo menos por uns dias. Mas elas voltam sempre que eu bem sei, voltam sempre para me atormentar!
No dia seguinte lá me levaram de volta para o ginásio onde fingi imenso que me esforçava horrores. Fingi que não sabia como funcionava nada daquilo e que uma passadeira era totalmente novidade para mim, ficando em cima dela a andar e a olhar para o belo jardim à minha frente. Para quê por-me a correr, se estava ali para relaxar?
Saída da passadeira voltei à piscina termal a 36º para depois ir até ao duche escocês. O duche escocês é uma coisa maravilhosa mas que à vista parece uma tortura terrível.
Num cenário quase 2ª Guerra Mundial em que, nos campos de concentração, lavavam os judeus todos à mangueirada, eu sou fechada numa sala com uma senhora descomunal que me manda encostar a uma parede e que decide bombardear-me com uma verdadeira mangueira de bombeiro de cima a baixo, e isto com água que altera entre quente e frio. Às tantas já nem percebemos se a pressão da água nos dói ou se a alteração da temperatura nos vai fazer morrer do coração, já só ouvimos a senhora a dizer para nos virarmos de direcção e rezamos para que acabe rapidamente. Quando acaba sinto o meu corpo como novo e o sangue a circular a mil à hora. Lá se foram os pés inchados e os problemas de circulação!
Depois de umas horas sem fazer absolutamente nada lá fomos fazer a massagem de corpo. Em que é que consistia? Antes de mais em ficar de cuecas em cima de uma maca e ser massajada totalmente (excepto cara e peito, felizmente) com um creme quente e que picava. Era para limpar as toxinas. Depois, mudaram-me para uma sala onde estava um saco-cama azul aberto e no qual colocaram umas folhas brancas pintadas de verde, sobre as quais me deitei para depois me embrulharem e fecharem o saco-cama que, já agora, era elétrico e estava quentíssimo.
Chama-se a isto envolvimento em algas. Eu, na minha ingenuidade, achava que o envolvimento em algas implicava encherem-me literalmente de algas, mas ainda bem que não foi assim porque me devia meter um bocado de nojo! Ao que parece, os tais papeis nos quais me embrulharam estavam "pintados" com algas e lodos que têm um efeito fantástico qualquer sobre a pele.
Abandonada com o saco cama azul, embrulhada que nem um croquete em plena fritura, comecei a aquecer e a aquecer e achei que era daquela que o meu coração parava de vez. Dizem que é suposto algumas pessoas suarem, outras nem tanto. Eu suei tanto que parecia que tinha acabado de tomar banho. É sinal que fez efeito. Depois de me limparem (sim, porque elas é que limparam!!!) ainda me voltaram a massajar, desta vez ainda mais totalmente, incluindo dedos das mãos e dedos dos pés, com um produto refirmante maravilhoso. A verdade é que tenho muito menos celulite, é impressionante!
No último dia, ou seja hoje, lá fui novamente para o ginásio. Desta vez até me portei melhor e esforcei-me um bocado. Depois do ginásio era hora de ir para a sauna. Entre duches frios e sauna a não sei quantos mil graus centigrados, sinto que perdi litros e litros de água do meu corpo. Depois da sauna recambiaram-nos para a hidromassagem computorizada... um sonho!
Fecham-me numa sala que tem como única mobília uma banheira gigante acabadinha de encher e com água bem quentinha e enfiam-me lá dentro. Depois de ficar sozinha e como que por magia, a banheira gigante começa a deitar jactos de água que me vão fazendo massagens ora nas costas, ora nas pernas, ora no pescoço, ora nas palmas dos pés, ora nos braços e nas mãos... e isto durante cerca de meia hora! Quando aquilo parou só me apetecia ficar ali parada durante horas. Fez-me lembrar a cadeira que o meu Tio Manel tinha na Praia da Rocha, daquelas que fazem massagens no corpo inteiro e que andávamos sempre à luta para ver se deitava lá primeiro... mesmo que ainda de rabo molhado, acabados de chegar da praia. Bem sei que a cadeira ainda existe em casa do Tio Manel mas a casa da Praia da Rocha já não é o que era e já não serve de nada pensarmos nela porque aquelas férias únicas à beira da praia nunca mais vão voltar a ser as mesmas.
Para acabar em grande fizemos outra massagem Vichy (a tal da sala de operações meets cozinha moderna) e outro duche de vapor. O duche de vapor também faz escandalosamente lembrar campos de concentração, mas desta vez as câmaras de gás! Fecham-me num cubículo forrado de tubinho metálicos que têm dezenas de orifícios e deitar vapor para cima de mim. Dezenas são mesmo dezenas. Felizmente é apenas vapor de água e é um espectáculo ver o vapor tocar na pele e transformar-se em gotas de água gordíssimas. Não sei qual é o objectivo do duche de vapor, se é suposto relaxar ou revitalizar... Mas é sempre bom.
E foi assim, totalmente rejuvenescidas, revitalizadas, massajadas, com menos celulite e menos stress que fomos àprocura da A17. E agora cá estou eu, pronta para ser novamente envelhecida, desgastada e stressada pelo meu dia-a-dia apaixonante de trabalhodora-muito-estudante.
Jealous?
7.10.07
À procura da A17
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1 comentário:
Da próxima também quero ir!!! Por favor.... levem-me também para um fim de semana desses. Eu até acho que mereço. Não sou uma má cunhada nem uma má nora (sem contar com aquelas partes em que bato na sogra, mas ela também bate em mim...)
Mary
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