19.11.07

Lufada de ar fresco

Eu sei que não tenho escrito nada e a pressão já se tem feito sentir ultimamente. Entre pequenos comentários que quase se assemelham a verdadeiras ameaças à minha integridade física e entre cafézinhos à noite no Bairro Alto em que percebo que a minha Tarte está em primeiro lugar logo a seguir à consulta diária de e-mail de tanta, tanta gente, sinto-me forçada a escrever com uma certa frequência de modo a não decepcionar os meus ansiosos leitores.
E desde sempre prometi a mim própria que nunca iria ter um blog em que pedisse desculpa por não escrever ou em que falasse do facto de lá escrever como tema determinante da minha escrita mas a verdade é que mais cedo ou mais tarde este tema teria que ser abordado.
E desta vez é abordado não para pedir desculpa pela demora nas novidades, até porque no meu blog não há democracia e as regras são minhas e, por isso mesmo, não devo desculpas a ninguém, mas sim para dizer que não tenho escrito nada porque não há nada de concreto para escrever!
Estou a passar a fase mais estranha da minha vida dos últimos tempos e por muito que tente, e acreditem que tenho tentado bastante, é bastante difícil descrevê-la.
Ah! Mas está alguma coisa diferente? Mudou alguma coisa? Até me pareces igual!
Sim eu estou eu própria e está tudo igual mas ao mesmo tempo está tudo a mudar ao mesmo tempo e eu não estou a fazer nada por isso.
Será que não sentem também? Será que não reparam? Porque esta mudança parece-me toda tão grande, apesar de não se traduzir em nada específico, que acho difícil que não se sinta no ar, que não seja visível aos olhos de todos!
De um momento para o outro, sem ter feito nada por isso, consegui-me soltar de tudo o que ainda me atormentava e finalmente a vida à minha frente já se apresenta outra vez, como sempre se apresentou, como um sem número de hipóteses com as quais sempre sonhei e pelas quais vivo maravilhosamente angustiada na expectativa da sua concretização.
E a verdade é que esta prespectiva soturna e melancólica de mim própria era algo que não me deixava em paz já há coisa de um ano ou mais, de maneira que esta lufada de ar fresco não poderia ter vindo em melhor altura.
Começou devagar e muito antes de ser uma grande lufada já eu a sentia ao longe, como uma pequena brisa que só se fazia sentir quando eu acreditava com muita força que estes dias iam chegar. Depois começou a ser mais evidente, até que já não é possível disfarçar que perdi totalmente as rédeas do rumo da minha vida e que tudo está finalmente a mudar à frente dos meus olhos sem que eu possa fazer nada em relação a isso. Aliás, até posso. Posso ir atrás e aproveitar ao máximo estes dias, apesar de ter um pequeno pressentimento que eles vieram para ficar, tal e qual como cá tinham estado durante anos e anos sem fim em que eu não lhes dei valor porque sempre me pareceu tão normal eu ser tão feliz.
Portanto se me perguntarem o que é que mudou, a verdade é que tanto mudou tanta coisa e tão drasticamente como no fundo não mudou nada e sou só eu que me sinto outra vez tão, tão eu passado tanto tempo.
Bem sei que aproveitei ao máximo cada fim-de-semana de Verão possível e imaginário, que fui a todo o lado e com toda a gente, que conheci Barcelona de um canto ao outro e todos os bocadinhos de Portugal que me interessavam. Mas a verdade sempre esteve estampada e toda a gente sempre o soube. Com ou sem férias, até porque não foram as férias que me fizeram falta e o Verão acabou por ter mais férias, de certeza absoluta, que alguns dos últimos anos, estes últimos meses foram de longe os meses mais difíceis da minha vida e eu não consigo, por um segundo que seja, esquecer-me do quão feliz estou, pura e simplesmente, por eles terem acabado. Só mesmo porque finalmente parou a avalanche de tormentos que só me empurravam cada vez mais para baixo e que tornavam cada dia mais difícil a simples perspectiva de que tudo se pudesse vir a endireitar outra vez.
E podem tentar encontrar mil explicações para isto tudo se ter passado agora e não em Julho ou em Agosto. Podem até tentar procurar pessoas que achem que foram determinantes para isto tudo ter corrido como correu, tanto as partes boas como as partes más. Mas a verdade é que afinal de contas eu tinha razão e ia ser eu, só eu sozinha, quem tinha que percorrer todo aquele caminho e saltar dele para fora antes de ser tarde de mais e eu me tornar na pessoa menos empolgante do mundo, em que o único interesse iria ser sem dúvida um blog deprimentemente divertido.

2 comentários:

Vera Leitão disse...

oh Ri... axas mm que nos não percebemos como tavas e como tás? a mudança toda e drástica?
garanto te, plo menos falo por mim, que me apercebi de tudo... todas as mensagens mais explicitas ou menos explicitas nos teus textos.. mas o melhor é mm ver a mudança, como te ta a correr tudo melhor! eu axo que não é por nada que se diz que tens de bater no fundo para te levantares depois! não podia ser mais verdade!
já falei contigo sobre isto e já te disse uma coisa que não podia ser mais verdade... axo que não preciso de a repetir aqui!
agora sei que vai tudo continuar bem, for I HAVE THE SIGHT e como tal sei estas coisas!! :) é verdade... tenho mais uma confissão do tipo da outra a
para te fazer... lolol já falamos...

claudia disse...

eu quero uma fatia de tarte, pleaseee com chazinho quente!
=)