A culpa é minha, toda minha.
Sou apressada, não consigo esperar pelas coisas boas e como não pude ir buscar o carro ontem, marquei para o mais cedo possível hoje. Duas e meia da tarde. Não dá com nada. Mas não conseguia aguentar até ao final do dia, era impensável, não aguento mais!
Já passaram 3 meses desde que o encomendei e entre acabar o stock, a fábrica fechar em Agosto, ele ser feito em Setembro (é Virgem como eu!) e só chegar em Outubro, fazer o seguro, o banco autorizar a recolha… Era impensável pedirem-me que esperasse.
Mas agora, por culpa minha, vou buscá-lo sozinha.
A minha mãe ainda me leva lá mas tem uma reunião e portanto não vai comigo. De todas as pessoas ainda acho que era ela quem eu mais gostaria que me fizesse companhia, apesar de ultimamente nos darmos como cão e gato e de eu estar à beira do desespero por não saber como gerir esta situação e me sentir constantemente dividida entre a vontade de me passar com ela dia e noite e a vontade de dar graças a Deus por ao menos ter uma mãe…
Ainda assim, sozinha é que não.
Quase que perco vontade de ir.
Por um lado estou histérica, por outro só de me imaginar a entrar dentro do meu Smart… carregar em todos os botões, por o primeiro CD, aprender como tudo funciona… fazer tudo isso sozinha, para mim, não faz sentido.
Acho que não fui feita para celebrar grandes momentos sem ter alguém ao meu lado com quem os partilhar. Seja quem for.
E aí a culpa também é minha, a tal mania de viver tudo muito, de sentir tudo muito, de celebrar tudo como se fosse uma grande festa. Mas isso já é feitio e eu gosto de ser assim e é engraçado porque estava eu a folhear uma revista dessas muito femininas que folheamos aqui no escritório depois de almoço para ver a publicidade feita pela concorrência quando vejo um pequeno artigo, que era mais um pequeno quadradrinho com uma lista, que dizia: “10 regras para ser feliz”. Faziam todas sentido, lembro-me disso, de resto lembro-me de pouco mais a não ser que lá estava, em quarto lugar, “festejar cada momento e cada aniversário de todas as pequenas coisas”.
E eu faço isso, claro que faço. Os anos da inauguração do meu quarto, que ganhei quando o meu irmão mais velho saiu de casa e eu saí do meu quarto ainda mais pequenino. Os anos do Pudim. Os anos da carta de condução. Os meus anos, que adoro. Os anos de toda a gente, que normalmente vivo mais do que os próprios aniversariantes. Os anos do meu piercing do nariz. Tudo.
Mas porque há sempre alguém com quem festejar, alguém a quem dizer, alguém que se ri da minha parvoíce, da minha criancice eterna.
Agora sozinha?
Sozinha não tem graça.
E sou a pessoa mais estúpida, egoísta e fútil do mundo porque tenho a sorte inacreditável de ter um carro novinho em folha, escolhido por mim, pago por mim, à minha espera no stand, e ainda assim estou profundamente infeliz por não ter ninguém que vá viver comigo o momento em que vou entrar lá dentro pela primeira vez.
16.10.08
not so smart
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