6.6.07

Ausonia. Muito segura, muito mulher.

Pode parecer parvo mas realmente há anúncios que comunicam connosco.

Eu sou uma consumidora de publicidade, de comunicação. Não tanto de marketing. Eu consumo avidamente o conceito que as marcas me transmitem. Não preciso de experimentar para saber que certos produtos nunca vou consumir. Não são para mim, não têm nada a ver comigo. Se calhar até são melhores que os que eu consumo mas para mim isso não é suficiente.
Este anúncio comunica comigo. Tanto o da televisão como esta página (que nunca tinha visto até hoje, até porque não folheio tantas revistas quantas gostaria). A verdade é que não comunica comigo no patamar em que a empresa gostaria que comunicasse. De facto, quando for comprar pensos higiénicos se calhar não vou comprar Ausonia (ou talvez agora já compre, porque estou a escrever este texto e já não me vou esquecer). Mas a verdade é que ainda ontem comprei pensos, e comprei da marca Pingo Doce!

Mas esta publicidade, mesmo assim, comunica comigo num patamar mais pessoal. Como se o conceito fosse o ideal para mim, mas infelizmente está associado a um dos poucos produtos que eu não escolho meticulosamente.
O anúncio diz-me tudo! E se eu não levasse a vida tão a sério? E se eu relaxasse?
Na televisão, ela está prestes a sair de casa toda arranjada, vestida como uma princesa séria e sem graça, quando de repente tem um desvario de loucura e rasga o vestido, tira os collants, solta o cabelo... e fica imediatamente 100 anos mais nova. É isto que vejo nesta página. Vejo liberdade, vejo uma pessoa livre, mais leve, feliz!
E é isso que eu preciso!
Já chega de pessoas que só me deprimem. Pessoas que me fazem pensar tantas vezes antes de responder, com medo de não dizer tal e qual o que elas esperam de mim! Já chega!
Sinto uma necessidade tão grande de gritar, de me libertar dos preconceitos que me amarram a tudo o que "é suposto" eu ser. E se eu decidir que o que eu quero ser é diferente? E se eu não me importar de não seguir os trilhos que foram traçados para mim? Não estou nesse direito?
Claro que estou! Sou adulta, independente, inteligente, morena, alta e tenho tanto, tanto para dar ao mundo!
Adoro ler, sou culta, sei conversar e tenho tema de conversa. Sou tímida q.b. mas nada que afaste as pessoas que me rodeiam. Tenho umas mãos bonitas (e uns pés também, quando não estão inchados), orelhas de abano que fazem as delícias de toda a gente e um cabelo forte e saudável que tanto pode estar liso como encaracolado.
Falo inglês e francês, arranho espanhol, adoro televisão, cinema, actores. Até sou fã do site people.com só mesmo porque Hollywood me fascina! Sim fascina-me e isso não faz de mim uma pessoa fútil, só curiosa!
Sei que quero casar e ter filhos, quero adorar os meus bebés e quero que eles me adorem como eu sempre adorei a minha mãe. Mas não quero cometer os mesmos erros que ela, que me transformou numa pessoa insegura a boiar num mar de expectativas e ilusões, de promessas impossíveis de cumprir e de sonhos que nem sei se algum dia vou conseguir alcançar. Quero que os meus filhos tenham espaço para se definir a eles próprios, para construir a sua própria personalidade e para crescerem da melhor maneira possível.
Adorava ter um jipe ou um monovolume para os transportar a todos, aos gritos e a cantar músicas infantis aos berros.
Tenho tanto cá dentro...
Porque é que isto não é suficiente para fazer de mim uma pessoa relaxada e mais à vontade com o mundo e comigo própria?!
Tenho que me soltar!
E se EU não levasse a vida tão a sério?
Vou tentar, mas sem pensar de mais no assunto, porque é do pensar tanto que vem a constante matutação, e é da constante matutação que vem a falta de descanso interior. E é isso mesmo que eu sinto tantas vezes, é cansaço... Ando cansada de interpretar tudo tantas vezes, de ter que pensar tantas vezes no que sinto e se o que sinto é bom ou mau para mim e para o meu futuro.
Tenho que viver o presente.

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