8.6.07

Thinking Hour


A revista Saber Viver publicou na sua edição de Maio um artigo que reflecte tal e qual uma das minhas principais características: o matutanço. É precisamente um artigo baseado num estudo que mostra que as mulheres pensam demais. Não que pensem mal ou que devam pensar menos, pura e simplesmente passam tempo de mais a matutar em cada pormenor e detalhe da sua vida.
Pessoalmente, identifico-me 100% com este síndroma e com as consequências que este estudo mostra. O artigo basea-se num livro escrito por uma psicóloga da Universidade de Yale, chamada Susan Nolen-Hoeksema, e chama-se precisamente "Mulheres que Pensam Demais".

Vejam só o que ela diz sobre pensar demais:

«Pensar demais torna a vida mais difícil - o stress que enfrentamos parece maior, temos menos probabilidade de encontrar boas soluções para os nossos problemas e a nossa reacção a esse stress será, provavelmente, mais duradoura e intensa.»

O artigo da Saber Viver diz ainda (e eu concordo plenamente) que «O pensamento excessivo prejudica as relações com os outros, impede-nos de perceber o que podemos fazer para melhorá-las e pode contribuir para o desenvolvimento de ansiedade, depresssão ou alcoolismo. (...) Bloqueia a capacidade de encontrarmos soluções para os problemas, enfraquecendo a nossa autoconfiança

É isto! Isto é a fonte de todas as minhas inseguranças psicológicas. É com esta teoria que eu finalmente consigo identificar a minha personalidade. Sempre soube que pensava demais. Mesmo quando não sabia, alguém fazia questão de mo lembrar. É bom saber que alguém passou 20 anos a estudar este assunto e que, de facto, parece ser um problema generalizado das mulheres.

A alusão ao alcoolismo é novamente referida no artigo, mas desta vez falando de comida. Porque é evidente que uma pessoa que não consegue parar de se preocupar com um remoínho de coisas que provavelmente nem controla, procure um subterfúgio externo no qual se possa "afogar".
Eu sei que foi por essa experiência que eu passei, e o meu alcóol eram bolachas, bolachas e mais bolachas. Vi na comida uma maneira de me enterrar cada vez mais, de ficar cada mais infeliz, de pensar cada mais na minha infelicidade e de comer ainda mais para ver se me esquecia disso tudo.
É também ao ver isto que compreendo que essa infelicidade não veio do fim da minha relação com o André. Era uma situação pela qual eu já estava a passar há uns meses, mas que pura e simplesmente não conseguia interpretar, por muito que pensasse. E pensava muito.
Claro que o principal conselho que o artigo dá é: NÃO PENSE TANTO!
E também é claro que eu sei que é esta a maneira de se ser mais feliz, mais leve. Tenho aplicado isto no meu dia-a-dia e é bom verificar que muitas vezes um simples sorriso nos pode resolver muito mais problemas do que horas a pensar neles.
O artigo fala de pausas, de momentos ao longo do dia, nas quais os problemas não podem entrar. Fala de hobbies, de desporto, de voluntariado. Já sabemos tudo isto.
O que eu nunca tinha pensado era na ideia do Thinking Hour. Parece-me genial. Naqueles momentos em que não conseguimos evitar as preocupações, o ideal é parar um bocadinho e ficar a pensar nelas até se ter encontrado uma solução. Agendar um momento específico de vez em quando e libertar a cabeça de tudo o que nos preocupa ao longo do dia.
Concordo com isto porque acho que muitas vezes os problemas que permanecem são aqueles que se calhar precisavam que eu me sentasse a uma mesa com eles à frente e os resolvesse rapidamente.
Um exemplo fútil e absolutamente estúpido é o exemplo da roupa. Esta noite vou a um concerto e quero estar linda para determinada pessoa. Este linda é subjectivo porque de facto se trata apenas de um concerto e eu não posso ir vestida como quem vai para um jantar de gala, apesar de me favorecer mais. Portanto quero ir com roupa adequada a um ambiente rock, no entanto quero que algo em mim sobressaia para que essa pessoa repare como eu estou gira. No entanto, sei que não fico muito gira de ténis, preferia ir com outro tipo de sapatos. Mas o concerto é num descampado e hoje não está muito bom tempo, ir de sandálias ou de saltos seria ridículo.
Apesar de fútil, estes pormenores e muitos, muitos outros têm passado o dia a martelar-me a cabeça. Para dizer a verdade já ontem pensava nisto. O que me aconselham é a parar uns minutos e tomar a decisão aqui e agora! Ver as minhas hípóteses e decidir "vou vestir isto, com isto e com estes sapatos". Podem-se perder uns minutos mas rapidamente é menos um problema que fica na cabeça ao longo do dia. Vou começar a aplicar esta sugestão no meu dia-a-dia.
Outro conselho genial já eu estou a aplicar há uns tempos: Escrever! Dizem que é um bom método para "exorcizar" os pensamentos e quem sabe ganhar consciência de quão ridículos eles podem ser. I agree.
Gostei muito deste artigo. No final tem esta lista de 12 conselhos para não deixar que os pensamentos tomem conta da minha cabeça e, consecutivamente, da minha felicidade. Decidi pô-los aqui, assim como a parte do artigo que achei relevante, precisamente para me poder lembrar sempre que precisar.
Aliás, não será isto um dos passos para levar a vida menos a sério?
Vamos ver como corre o concerto.

1 comentário:

Anónimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado