Baptizado da Beatriz8 de Dezembro
Se fechar os olhos com muita força e me concentrar no último fim-de-semana consigo ver, ao pormenor, algumas imagens que me ficaram guardadas na memória.
Fotografias que não foram tiradas por mais ninguém que não eu mesma e que não estão guardadas em mais lado nenhum senão cá dentro.
Os meus sobrinhos, Tiago e Filipe, a correr pelas ruas da Covilhã absolutamente indiferentes ao frio que quase me matava e a rirem às gargalhadas por uma razão qualquer absolutamente insignificante, como um boneco de neve gigante montado no meio da rua cujo nariz era, vá-se lá compreender, uma cenoura.
O Natal tem destas coisas, fazer rir toda a gente um bocadinho mais do que se riem no resto do ano. Pelo menos em mim tem esse efeito e eu até me rio bastante no dia a dia.
E ver o Tiago a rir-se e a brincar, a falar e a dar beijinhos de livre vontade é capaz de ser das coisas melhores que me podem acontecer.
Porque é sempre mais fácil gostarmos mais das crianças mais fáceis, das que se riem mal lhes deitamos a língua de fora e das que se derretem nos nossos mimos sem fugirem de vergonha.
Para mim é tão fácil pegar na Beatriz ao colo e dizer que é minha afilhada e sentir que ela se encosta a mim como se já soubesse como mostrar que quer ser abraçada. É tão fácil fazer uma pergunta ao Filipe e ouvi-lo interminavelmente a responder em catadupas de palavras trapalhonas das quais só percebo metade até que ele fuja a rir às gargalhadas.
Mas são os sorrisos mais difíceis de arrancar, os beijinhos mais esporádicos e as palavras do Tiago que acabam por me trazer maior felicidade. É tão fácil não lhe ligar, dizer que ele é difícil e que não responde quando falamos com ele. É tão fácil admitir que pronto, que ele não quer brincar comigo e dedicar-me a outra coisa enquanto ele se embrenha nos seus cavaleiros e cavalos, perdido no seu mundo imaginário em que tudo é à medida do que ele quer.
Mas quando ele sorri, quando ele diz uma piada, quando ele se ri das minhas piadas. Aí sim, eu fico feliz. E é óptimo lembrar-me que sim, ele é meu afilhado, o meu primeiro sobrinho!, e eu vou querer tomar conta dele toda a vida e ter a certeza que ele vai ser sempre feliz.
E se normalmente eu sou uma pessoa bastante ligada à minha família (e como poderia não ser, com família a transbordar por todos os lados?), diria que no Natal essa ligação triplica e eu sinto-me a pessoa mais completa do mundo.
Tenho uma pena enorme das pessoas que não vivem o mesmo que eu nesta altura do ano. Que não têm gosto, prazer em querer agradar toda a gente com o mais simples presente de Natal. Que não querem dar tudo e mais alguma coisa só para mostrar que sim, que estes dias são um espectáculo e que já estou ansiosa pelo ano que vem.
Que não têm primos e primos que são os melhores amigos de sempre e aquelas pessoas das quais nunca, mas nunca nos haveremos de afastar.
E se calhar muitas vezes até me queixo aqui e ali da quantidade de presentes que acabo por ter que comprar. Ter três famílias implica ter três primos secretos, três festas de Natal e engordar três vezes mais do que o necessário.
Mas três conjuntos de primos, de tios e de festas realmente não poderia ser melhor, mais divertido, mais completo. Seja a consoada, o almoço ou o jantar... Não há dúvida que para mim o Natal ainda é aquela festa única do ano cheia de magia.
E seja porque está a chegar o dia 16 de Dezembro e porque faz 2 anos que aconteceu a coisa que, de longe, mais nos marcou em toda a nossa vida, como família e como pessoas, seja porque é quase Natal ou porque está quase a nascer o meu sobrinho mais pequenino, lá na China, tenho uma vontade enorme de aproveitar estes tempos em que o Natal ainda é tão grande e no meio de tanta gente. Até porque já sei que será dos últimos e que não tarda a grande família já somos só nós os 13, que não há maneira de pararmos de nos multiplicar e que qualquer dia já não cabemos em casa nenhuma.
E vou fazer tudo para que este Natal seja tão inesquecível quanto todos os que temos vivido e tentar combater este pequeno sentimento que insiste em estar presente e que não me deixa esquecer que um bocadinho tão importante da minha família está do outro lado do mundo e que, apesar de sempre tão perto, está tão longe de nós!
Até lá, venham os amigos secretos e os jantares de Natal constantes! Sejam do Rainha com pessoas que mal vejo ao longo da minha vida, sejam da faculdade que já quase é ridículo dizer que somos o grupo da faculdade porque estamos juntos todos os dias e mais dias do que os dias em que lá pusemos os pés, seja do que for. Há quase mais jantares que dias para jantares e mais festas do que tempo para festejar.
E por isso é que o Natal é tão bom. Porque todos festejamos, apesar de se calhar mais de metade já nem saber porquê ou para quê... Seja por que for, seja qual for a razão, a verdade é que me parece impossível não se estar feliz nesta época do ano.
2 comentários:
Que bom! Gosto tanto qd vou ao teu blog e há um texto novo! mas li tão rápido.. Eu gosto mesmo é dos testamentos lool
oh dani a culpa É TUA!
Eu até tinha alta teoria para escrever que dava aí para três páginas sobre a minha vida e o significado que dou às coisas e as coisas sem significado que etc etc e analogias com bolos etc mas falámos disso enquanto descíamos o chiado e agora já não me apetece escrever!
:P
Já marquei o jantar de sábado
Beijoooos
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