21.12.07

Últimos momentos

Os últimos momentos num sítio são estranhos. Desta vez não é o liceu ou a universidade que chega ao fim, não vou de férias de sorriso na cara à aventura por um Verão de 3 meses.
Não.
Desta vez é estranho.

Ter um escritório só para mim durante quase 2 anos faz com que se torne um bocadinho de mim, posso-lhe até chamar um bocadinho de casa. As gavetas têm coisas pessoais onde mais ninguém mexe e tudo à minha volta foi colocado com um cuidado especial. Eu sou assim. Para mim, tudo tem uma ordem, um sítio certo, arrumado.
E acho que tenho evitado ao máximo o facto de ter que desarrumar tudo isto, enfiar em sacos e quem sabe quando voltar a tirar para fora. Mas ontem, antes de sair, decidi que tinha que começar. Decidi que eventualmente não teria força nem vontade de tratar de tudo hoje pelo que comecei à deriva pelas minhas gavetinhas encarnadas à procura de que pequenos tesouros poderia encontrar.

Ir embora é sempre difícil, apesar de ser uma saída boa e de sim, me esperarem 11 preciosos dias de férias. Férias essas que, achei eu, iam ser aproveitadas para me vingar das horas de sono que a vida me insiste em roubar mas que, afinal de contas, já estão todas salpicadas de pequenos programas aqui e ali e que, preenchidas com muitos trabalhos de grupo para as aulas, as deixam já quase preenchidas.

O diploma do ISCEM, que nunca me dei ao trabalho de levar para casa, o meu kit-escritório verde-lima-transparente com todos os acessórios a condizer, as minhas agendas, os meus cadernos de notas, o meu inseparável e essencial creme de mãos que só uso porque está à minha frente na secretária. Tudo coisas que fazem parte desta sala.
Tudo o que aqui está foi trazido para aqui a pensar em mim. Os móveis do Ikea aos quadrados com gavetas ditribuídas aleatóriamente, a secretária gigante, a cadeira de rodinhas, foi tudo comprado para mim e, mais importante ainda, foi tudo montado por mim!

A partir de Janeiro vai tudo pertencer a uma tal de Isabel, que parece simpática apesar de tudo, e que espero que dê valor a este bonito telefone Skype cor-de-laranja, ao meu telemóvel do escritório que irá, inevitavelmente, voltar a tocar com chamadas que ainda serão para mim, enfim, a tudo o que por aqui anda e que, no entanto, só aqui anda porque eu por cá andei.

E agora dou por mim no último dia de trabalho, dividida entre este desejo enorme de entrar de férias e gozar o Natal ao máximo e um pânico absoluto pelo ano que aí vem em que tenho um pavor terrível de falhar e de não corresponder às expectativas.

Hoje cheguei antes das 9h, pela primeira vez em muitos dias e quando todas as outras pessoas chegaram já eu lhes tinha deixado um envelope com um postal de Natal e com um grande chupa-chupa em forma de Pai Natal ou Árvore de Natal.
Escrevi-os todos ontem à noite. A cada um, um agradecimento especial por me terem aturado e ensinado tanto ao longo deste tempo e uma esperança de que não percamos contacto. Um adeus que deixa de ser tanto um adeus porque é sempre enfeitado de um bom natal e feliz 2008, de um até já, volto cá para fazer uma visita sempre que tiver disponibilidade.
Escusado será de dizer que essa disponibilidade será, misteriosamente, sempre reduzidíssima e que provavelmente não farei muitas visitas, mas logo se vê.

De uma pessoa recebi duas beijocas comovidas com o meu belo postal e de outra recebi uma mensagem pelo Skype (Estava mesmo a precisar de um chupa logo pela manhã!! eheheh obrigada Rita por estas palavras tão simpáticas... agora vou ter saudades das tuas histórias a 1.000 rotações que só tu consegues contar sem te atropelares eheheeh desejo-te toda a sorte do mundo quer na shiseido, quer em outro sítio qualquer e para a tua vida :) e claro que não vamos perder o contacto, não há skype há mail... há sempre qualquer coisa :D). De resto, houve quem fingisse que não leu o meu postal e que diz só que come o chupa-chupa logo à tarde e ainda quem não tenha chegado e visto o meu presentinho.

Espera-me um dia com, estranhamente, ainda bastantes coisas para fazer e interrompido maravilhosamente por um último almoço no Chiado em que me vou despedir destes passeios a pé e destas companhias únicas que tornam os meus dias perfeitos.

E a noite?
A noite vai ser estranha.
Tinha dois jantares marcados e acabei por decidir ir a um deles por obrigação quando o outro seria tão mais simpático mas, não vale a pena negar, o que eu queria hoje para festejar o meu último dia de trabalho e de aulas era uma bela noite de ronha a ver um óptimo filme. A festa pode esperar até amanhã. Inconscientemente já decidi que o mais certo é não ir ao jantar que combinei ir, mas também não vão sentir a minha falta porque são dezenas de pessoas, e ir a casa depois das aulas tomar um bom banho com calma e ir ter ao outro jantar que tanta pena tenho de ter dito que não ia. Mas fica prometida uma Tarte de Limão tamanho XL para a próxima oportunidade... e com merengue extra... pode ser?

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