14.12.07

Nunca mais é Natal!

Por uma razão qualquer inexplicável apetece-me divagar sobre presentes de Natal.
Adoro oferecer presentes, adoro comprar presentes. Adoro escolher o que quero para cada pessoa com antecedência e ir até ao sítio certo e comprar exactamente aquilo com que tinha sonhado.
Tenho destas coisas, não ando por aí à procura de presentes à espera que montras natalícias me dêm ideias inesperadas. Já sei o que quero e se não o encontrar já sei que vai ser uma dor de cabeça até ter uma ideia nova porque mais nenhuma me vai parecer tão boa.
É como escolher a roupa que vou vestir. Não consigo ser como a maioria das raparigas que sai do banho e fica 3 horas a experimentar todas as hipóteses possíveis de roupa e ver qual fica melhor e às tantas já está estafada de tanto mudar de roupa que já sai de casa de mau-humor. Para não falar do facto de sair atrasada. Not me. Hoje tenho o primeiro de 5 jantares de Natal (por enquanto!) e parece-me óbvio que já parei 2 segundos para pensar e avaliar o conteúdo do meu armário e já sei perfeitamente o que vou vestir.
Mas a verdade é que se por acaso chegar hoje a casa e a roupa que já predefini não estiver disponível, se estiver suja, por passar, para lavar... aí sim, temos drama. Do nada, mais nada me vai parecer giro, mais nada me vai ficar bem e vai ser impossível fazer outra escolha viável.
É assim que eu sou.
E com os presentes foi assim que foi a minha noite de ontem.
Sim, claro que tinha uma lista e sim, já sabia tudo o que queria comprar.
Nunca poderia ter ido às compras com mais ninguém porque estava totalmente decidida a ir aos sítios que já tinha escolhido procurar precisamente aquilo que eu queria.
E para mim é isto que são os presentes de Natal.
Não são obrigações.
São presentes que eu quero dar a determinadas pessoas porque acho que elas vão gostar, porque quero mesmo que gostem! São presentes, ideias nas quais pensei com atencedência e que deixei germinar, aproximadamente entre Setembro e Dezembro, até ter finalmente tempo e disposição para ir à procura deles.
Sim, porque não serve de nada dizerem-me que podia ter feito as compras de Natal em Setembro. Seria impossível. É o mesmo que comprar fatos-de-banho em Janeiro.
Para comprar presentes de Natal é preciso o espírito de Natal, é preciso luzes, presépios e árvores de Natal em todos os lados. E podem dizer que a sociedade se aproveita do Natal para despoletar o consumo que eu não me importo, sei que é verdade mas tenho que admitir que é tão, tão melhor comprar presentes nesta época!
E sim, antes que este texto se alongue, tenho que deixar claro que no Natal se oferecem presentes e não prendas. Prendas, nunca! Não é por achar a palavra pirosa, que acho, mas parece-me errada, incompleta, feia!
Mas seguindo em frente, e porque me pediram um testamento e não um textinho, verdade seja dita que ontem à noite me arruinei totalmente com os presentes e ainda me estão a faltar os dos meus amigos secretos que só vou comprar hoje à hora de almoço.
Já comprei para meus sobrinhos, para a minha sobrinha, para as minhas primas (sorry babes... teve que ser), fui buscar o da minha avó, ainda tenho que ir buscar o do meu irmão/primo secreto Filipe e comprei os dos meus outros 2 primos secretos. Felizmente que não se conhecem e que são de famílias totalmente diferentes senão ficavam a saber que levam presentes iguais.
E arruinei-me a comprar chocolates para toda a gente. Teve que ser. E isto tem uma explicação muito lógica. No ano passado trabalhei para a Milka num belíssimo jogo do Sporting, já não me lembro é com quem é que trabalhei mas pronto, e algumas vacas Milka, outras meninas Milka e eu roubámos centenas de chocolates. Mas centenas ao ponto de ainda não conseguir comer chocolates Milka e já passou um ano. De maneira que decidi na noite de 24, a minha festa de Natal preferida, oferecer a toda a gente um pacotinho Milka.
Sempre quis ser daquelas pessoas que oferecem um presentinho a toda a gente porque a verdade é que quando chego ao meu sapatinho, depois da missa do galo, adoro ver um monte de presentes e há sempre um ou dois mais pequenos em cima que são um chocolate ou algo assim de um tio meu, o Tio Miguel normalmente, que oferece a toda a gente e fica sempre toda a gente radiante!
No ano passado eu fui essa pessoa. Apesar de estar a oferecer chocolates literalmente roubados, ou pronto, vá lá, tirados de caixas Milka. E o que aconteceu é que toda a família ficou radiante comigo e tão, tão feliz. E apesar de eu insistir que não, que não era nada e os chocolates tinham-me sido "oferecidos" num trabalho não havia maneira de tirar os sorrisos da cara de toda a gente que achou que eu era a pessoa mais amorosa do mundo!
Ora, por me sentir mal por terem ficado tão felizes por eu ter dado uma coisa que nem sequer comprei e também porque adoro que me achem a pessoa mais amorosa do mundo e quero que voltem a achar, ontem lá fui eu para a Makro comprar chocolates Milka para a Marçalada toda. Fiz as contas por alto e somos mais de 30... só havia caixas de 20 chocolates e eu nem quero acreditar que vou acabar por ser eu a comer os que vão sobrar. Sou sempre assim, é incrível. Juro que não queria, que ainda estou enjoada de chocolates Milka, mas já sei que os vou comer e não há nada a fazer. Ainda só comi um, ontem, enquanto seguia da Makro para o Ikea e depois para o Stapples (não posso contar porquê senão um leitor do meu blog ficaria a saber o que lhe espera) e depois para o Colombo.
Curiosamente, nenhum destes sítios estava a abarrotar e a minha noite de compras correu calmamente e sem precalços. Comprei tudo o que queria e encontrei tudo o que estava à procura, menos uma coisa que era precisamente a única coisa que eu queria oferecer a essa pessoa mas que está esgotada. Não posso dizer o quê porque essa pessoa também lê o meu blog. Mas leva um "queria-te-dar-isto-e-levas-em-Janeiro" no formato do presente original, porque a intenção é que conta.
A verdade é que adoro oferecer presentes. Adoro a noite de Natal. Adoro o Natal!
Quando chegamos da missa e está toda a sala com centenas de milhares de presentes ao mesmo tempo que centenas de milhares de crianças cantam as músicas natalícias que a minha avó lhe impõe (Glóóó-óóóóóó-óóóóóó-óóóóóó-ri-a!), adoro andar a ver as pessoas que abrem os meus presentes em vez de ir abrir os meus a correr.
Isto tem tanto a ver com estar histérica para ver reacções como com o facto de eu ser, como sempre fui, uma verdadeira "pleasure delayer" (como no Vanilla Sky!) e prolongar o momento de abrir os meus próprios presentes o máximo de tempo possível para ter sempre aquela sensação de que ainda me faltam imensos até ao fim do meu montinho. E quando finalmente vou para o meu sapatinho, demoro horas! Começo por abrir o inevitável chocolate do Tio Miguel e, enquanto o como, vou logo agradecer. Entretanto espreito aqui e ali para ver o que todos estão a receber e quando finalmente volto para o meu sapatinho já passou meia-hora. Começo a ouvir gritos de desespero porque não estou a abrir presentes nenhuns e já se está tudo a passar e lá começo, dos mais pequenos para os maiores, a abrí-los, mas sempre com muitas pausas e muitos "quem é que me deu isto??? sabes? quem foi? quem tem o papel aos bonecos de neve?". E pronto, é uma regra, não passo para o presente seguinte sem saber quem deu o primeiro, sem agradecer devidamente no meio daquele caos de gente e embrulhos e crianças histéricas de felicidade e sem trocar quatro ou cinco impressões sobre presentes alheios.
Com os presentes que eu ofereço não acontece a parte de terem que procurar quem ofereceu. Muito depressa alguém, normalmente a Benny porque faz parte do clube das não-queremos-ir-à-missa-ficamos-a-arrumar-os-presentes, diz: "Os presentes da Ritinha são aqueles com o papel assim e assim e com o laçarote daquela cor". E pronto, acabou-se a surpresa. Os meus presentes são sempre, sempre os mais queridos e todos iguais e muito, muito bonitinhos. Até podem não ser nada de especial mas, verdade seja dita, ainda ontem me disseram que o embrulho conta 50%. Não que tenha sido uma pessoa que eu considere uma expert em presentes de Natal, mas paciência.
E quando finalmente acabamos de abrir todos os presentes e aquela sala está absolutamente caótica, até porque ainda não passou a pessoa que apanha papéis de embrulho do chão, passamos para a melhor ceia do ano. E tenho que admitir que essa pessoa que apanha papéis de embrulho é um verdadeiro mistério para mim porque não sei mesmo quem será. Sei que mal se abrem as porta da proíbida casa de jantar vou muito rápido comer bola e chocolate quante (mistura trágica, mas é Natal) e quando volto para a sala porque na casa de jantar ainda sou considerada uma criança e não tenho lugar à mesa, e nem queria ter tenho que admitir, já não há papéis de embrulho em lado nenhum. A sala já não é um caos mas sim um conjunto de montinhos ordenados de presentes já desembrulhados e salpicada de crianças a experimentarem os seus novos brinquedos, totalmente alheias ao facto de que já devem ser umas 4h da manhã.
Enfim... nunca mais é Natal!

1 comentário:

Anónimo disse...

trabalhas-te com a fili e comigo.. as vacas conhecidas eram o urbano e o pw lol