Já considerada por muitos uma expert em termos de dietas, calorias e todas as palavras dessa família, continuo a ler tudo o que me aparece à frente sobre esse assunto.
Não que haja muito a aprender, acredito que uma pessoa chega a determinada fase em que já absorveu toda a informação necessária sobre determinado tema.
Eu própria, depois de ter tido uma amiga anorética, depois de ter ido ao nutricionista, depois de ter emagrecido desmesuradamente e depois de ter voltado a engordar ainda mais, considero-me uma especialista.
Sei que os benefícios de uma dieta não são, infelizmente, tantos quanto os malefícios psicológicos que esta traz.
Ainda assim, a Visão de 12 de Julho tinha como tema de capa as dietas e determinadas pesquisas que procuram explicar as razões pelas quais temos fome, pelas quais comemos e sobretudo pelas quais não paramos de comer.
Ao que parece, a mãe natureza encarregou-se de fazer com que determindados actos, como o sexo e a alimentação, proporcionassem prazer ao ser humano já que asseguravam a continuação da sua espécie. O que a natureza não foi capaz de prever foi que a determinada altura pudesse passar a haver comida em abundância.
Significa isto que o ser humano foi programado genéticamente para comer tanto quanto aguentar, porque nunca se saberia quando seria a próxima refeição. Aqueles que conseguissem comer mais eram os que tinham mais probabilidades de sobreviver.
Acho isto uma óptima desculpa para os meus ataques de voracidade.
Mas não é disso que venho falar, nem de dietas nem de regimes alimentares estúpidos. Já sei que não funcionam.
Também não quero fazer mais um diário da minha dieta porque de vez em quando vou ler os meus Diaries of an Eating Disorder e pergunto-me sinceramente como é que não me puseram num hospital psiquiátrico.
Nada disso. Acontece que a Visão falava de um pormenor interessante que era o facto de o estômago de um ser humano ser "programável". Ou seja, se estiver habituado a comer a determinadas horas, só vai ter fome a essas horas. Se comer, numa alimentação equilibada, todas as texturas e sabores necessários, não vai ter necessidades desproporcionais.
No entanto, ao que parece estes hábitos só são assimilados quando os hábitos são os mesmos já há mais de 100 dias. Caso contrário, o estômago ainda não os reconhece.
Assim sendo, que tal eu esforçar-me para fazer 100 dias minimamente positivos na minha alimentação?
As regras são:
- nada de dietas
- nada de exageros
- nada de fome
- várias refeições por dia
- fazer das pequenas refeições (o máximo possível) fruta, iogurtes, leite
evitar jantares com mais de um prato - evitar carne de porco (só quando possível, senão não há problema)
- evitar fritos (só quando possível, senão não há problema)
- em casa de outras pessoas, comer tudo o que os outros comerem
- aproveitar jantares, almoços, ocasiões sociais e em público para matar saudades daquela comidinha mesmo boa
- tentar ao máximo fazer as excpeções aos fins-de-semana; tanto excpeções relativas a comer mais como a comer menos
- ginásio! mesmo que não seja fazer ginástica, caminhar 30 minutos todas as manhãs
Podemos dizer que estes dias começaram na terça-feira, dia 17 de Julho, e que portanto acabam a 24 de Outubro, quando eu estiver em Macau.
Hoje é o quarto dia. Destes 4 dias fui ao ginásio os últimos 3, hoje dormi mais um bocadinho mas, no entanto, não adormeci, o que é extremamente positivo para o resto do dia.
So far so good.
em 4 dias:
- 4 dias bons
- 3 idas ao ginásio (em 4 dias úteis)
Aqui, a diferença entre "dia bom" e "dia mau" está totalmente ao meu critério, só eu própria posso julgar as minhas acções. Até posso ir a um jantar e comer imenso e decidir que isso não afectou a minha deita dos 100 dias, porque só eu sei a que nível é que isso me pode ter afectado psicológicamente.
Defino então como "dia mau" um dia que tenha perdido o controlo, em que tenha decidido afogar as minhas mágoas em bolachas ou algo semelhante, em que tenha ficado sem força para parar de comer. E até lá, vou rezando para que um dia assim não seja, como é costume, seguido de mais 30 dias iguais.

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