25.7.07

A Tarte de Limão

A Tarte de Limão foi feita ontem, dia 24.

Será desta que um blog aguenta mais do que alguns dias?
Qualquer dia perco a conta às tentativas de realmente criar um blog sem o apagar logo nos dias seguintes, arrependida.

O nome pode parecer parvo ou mesmo estúpido. Mas para mim tem significado.
Acontece que há uns meses tinha começado com uma pequena brincadeira, um simples desabafo, um refúgio, uma espécie de diário, que se veio a tornar hoje em dia um depósito de todos os meus pensamentos, melhores ou piores, e uma fuga para os meus devaneios.
Foi um blog que eu criei para mim própria, chamado Fatias de Mim. Para mim, ele é perfeito. Diz tudo sobre mim: quem sou, como sou, quando sou o que sou e mesmo as coisas que nem faço a menor ideia que sou, quando as sou e como as sou.
Mal se entra, pode-se ler:

"Fatias de mim. Porque não sou coerente, porque não sou estável, porque não tenho tendência a ter a mesma opinião mais do que cinco minutos seguidos. Porque me divido em mil fatias diferentes, que todos os dias me transformam numa pessoa diferente do que era no dia anterior. Porque quero recordar todas essas fatias."

No entanto, quando escrevo nesse blog, que já vai caminho dos 100 posts, há sempre coisas que me fazem pensar: "não me importava que as pessoas lessem isto". Mas é o meu diário, tem coisas que provavelmente nunca ninguém vai ler. Só é um blog porque me dá jeito que esteja em casa, no trabalho, onde quer que eu esteja, senão seria apenas mais um diário, provavelmente o milésimo desde que nasci.

E foi assim que decidi reunir algumas das minhas fatias, aquelas que consigo partilhar, e cozinhar uma tarte de limão.
Tarte de limão porque é a minha sobremesa favorita, porque é aquela que eu faço melhor, porque é aquilo que toda a gente gosta em mim, que associa a mim.
Afinal de contas, se eu fosse uma tarte, eu seria de limão!

Porque sou eu, mas só um bocadinho.

Tudo o que está neste blog que seja anterior ao dia de hoje já foi escrito, eventualmente, noutros sítios.
Isto porque escrevo tanto ou mais do que falo, e acreditem que já falo bastante.
Mas também porque não acredito, não acredito mesmo, que tudo o que uma pessoa escreve, tudo o que uma pessoa pensa, tudo o que me uma pessoa sente, deva ser partilhado indicriminadamente com qualquer um.
Pelo menos o que eu penso e o que eu sinto.

Os (...)'s que se encontram nesses textos são excertos que não me pareceu conveniente publicar aqui. Seja porque diziam de mais, seja porque diziam de menos, seja porque poderiam ser mal interpretados, seja por que razão for.
Não é essa a diferença entre escrever para toda a gente ou escrever só para mim? Quando escrevemos para outras pessoas temos sempre que pensar na interpretação que elas vão dar às nossas palavras.
Porque há sempre feedback, mesmo que nós nunca o saibamos. Não é essa uma das regras da comunicação?

Há fatias de mim que ninguém vai ler, mas adorava ter feedback das que fazem parte da minha tarte de limão!

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