10.7.07

Dream dream dream

Às vezes estou num sítio qualquer, sozinha ou acompanhada, ocupada ou a olhar para o ar, e começo a sonhar com qualquer coisa maravilhosa.

Sempre fui sonhadora, sempre tive uma imaginação fértil. Chegou mesmo a haver uma professora que escreveu um bilhete à minha mãe para que ela tivesse em conta que eu escrevia composições absolutamente surreais, e já tinha 13 anos. Houve outros professores, quase todos, que avisavam os meus pais do meu comportamento estranho nas aulas; enquanto que muitos alunos se distraíam uns com os outros, eu distraía-me sozinha, voava pela minha imaginação fora e só aterrava quando me puxavam até ao chão.

E gosto de ser assim, gosto de conseguir sonhar sozinha. Nunca me sinto só, desocupada, aborrecida. Quando me vejo sozinha, por uns momentos que seja, penso logo num tema de sonho que me agrade e deixo a minha imaginação voar.

Muitas vezes adormeço, outras distraio-me e esqueço-me do meu sonho, mas muitas outras deixo-me apenas levar pelas minhas fantasias e imagino situações reais, tão reais que poderiam acontecer no dia seguinte.

Podia perder tempo a tentar interpretar os meus sonhos, podia falar com um psicólogo e talvez ele me dissesse que isto significa mil coisas em mim, mas são mil coisas que prefiro continuar sem saber porque provavelmente sabê-las significaria perder a vontade de sonhar.

Também podia contrariar esta minha tendência, porque sei tão bem que estes sonhos só me dão expectativas tão altas que é difícil alguém na vida real conseguir satisfazê-las. E muitas vezes espero mais dos outros do que aquilo que eles me estão dispostos a dar, porque em sonhos me davam nem mais, nem menos, mas precisamente aquilo que eu sempre tinha querido.

Mas prefiro não pensar muito nisso. Prefiro ser como sou, prefiro continuar a sonhar. Por enquanto, e espero continuar a ser assim, consigo separar muito bem a realidade daquilo que sonho.

O facto de sonhar com determinadas coisas não significa que não consiga ser feliz sem elas na vida real, porque sei que consigo. Significa apenas que sei ver mais além daquilo que me é dado, que consigo ver em pequenos gestos dos outros, intenções fantásticas que tinham como objectivo dar-me toda a felicidade que teria tido se me tivessem dado aquilo com que eu tinha sonhado.

Ultimamente tenho sonhado mais que o habitual. Acho que sonho mais quando não tenho nada de maravilhoso a decorrer no meu dia-a-dia, mas quando ao mesmo tempo me sinto suficientemente bem comigo própria para querer sonhar.

Quando estou mal não sonho, quando estou triste não consigo imaginar momentos felizes e perfeitos. Seria bom se o fizesse porque seria mais fácil deixar de estar triste.
Acho que só sonho com situações para as quais estaria eventualmente preparada para viver. Só sonho com aquilo que quero realmente que me aconteça, seja agora ou seja mais tarde.

Acho que tenho sonhado mais por ter passado por esta fase de descoberta de mim própria. Enquanto tivesse assuntos que me remoíam e que me perseguiam não conseguia ter a consciência tranquila. Sem a consciência tranquila não conseguia gostar de mim como pessoa, de mim cá dentro, o suficiente para achar que merecia sequer sonhar, quanto mais viver aquilo com que sonhava.

E esta fase de equilíbrio tem-me feito bem por isso mesmo. Provavelmente uma pessoa olha para mim, para a minha vida, e não vê qualquer diferença. Eu própria admito que a minha rotina não tem nada de apaixonante ou de arrebatador.
Mas eu estou diferente, e isso muda todo o meu quotidiano.
Porque estou pronta para a paixão, porque estou apaixonada! Estou apaixonada por esta leveza que me faz andar de cabeça erguida, por este sentimento de liberdade que me diz que não tenho nada a temer. Por esta sensação de calma que me mostra que o que interessa é o presente e tudo o que o futuro me vai trazer.

Houve erros, vão haver sempre erros. Mas se não tivessem havido se calhar não tinha nada a ganhar, nada a aprender! Se calhar não seria a pessoa que sou hoje, não estaria tão preparada como realmente estou para tudo o que a vida me vai oferecer.

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