Este texto precisa de contextualização: Os últimos 3 posts estavam num blog que eu tinha criado, chamado Delírios Sãos, que apaguei passado uns dias. Aqui está o porquê.
Os meus delírios chegaram ao fim.
Não consigo afinal. Não consigo mesmo.
Sou muito inconstante, sou muito insegura. Admiro as pessoas que conseguem escrever o que lhes vai na alma e expô-lo aos outros. Admiro também aqueles que conseguem escrever sobre nada e deixar que os outro se riam, que os outros critiquem, que os outros gozem.
Os outros. Os outros. Os outros.
Sou insegura de mais.
Mas tentei, e isso ninguém me pode tirar.
Só queria tentar, só queria escrever. Mas a partir do momento em que o faço, faço-o para quem lê e isso é doentio. Tira-me a concentração, faz de mim uma pessoa que não sou. Acho que só sou verdadeiramente eu quando o sou para quem já não tenho nada a esconder, de quem já não tenho nada a temer, quando sei que gostam de mim, de todas as fatias de mim, tal e qual como elas são. Ou que gostam ou que, pelo menos, as aceitam, as conhecem.
E isso é difícil de conquistar porque nem eu gosto de todas as minhas fatias.
E como é que eu podia escrever para pessoas que nem conheço? Que nem sabem quem sou? Que não vão compreender a razão de cada vírgula, de cada ponto final, de cada razão para as razões que dou?
A expectativa estava-me a corroer por dentro. Contar as pessoas que me iam ler, a mim e aos meus devaneios cheios de nada, porque não escrevi nada que não se possa comparar a alguém remotamente semelhante a mim num mundo remotamente semelhante ao meu.
E o que é que elas pensaram? O que é que acharam de mim? Divertida? Fútil? Chata?
Quando penso no que escrevi penso que transmiti a ideia de uma pessoa chata.
Escrevi textos longos e sem conteúdo, longos de mais e com conteúdo a menos. Que tentavam ser divertidos mas ao mesmo tempo relatar episódios nos quais não me vejo reflectida.
Tentei falar de mim contando o menos de mim possível.
Tentei expôr aos outros uma Rita que não se consegue, nunca se consguiu expôr.
Porque não é assim que eu sou e tenho que compreender que não faz mal, que está tudo bem, que não há problema em ser uma pessoa reservada, introvertida.
Foi uma experiência engraçada e provavelmente vou voltar a repeti-la, mas não hoje nem amanhã. Não enquanto não tiver nada de relevante para partilhar com o mundo, com esses outros que desconheço mas que me perseguem como fantasmas.
Até lá vou continuar com esta sensação de que ainda não alcancei aquele patamar no qual penso que a minha existência tem importância suficiente para a impingir aos que me rodeiam.
Parte de mim, fatias de mim têm pena. Gostava daquele blog, das cores e da estrutura. Mas ainda assim era maior a tempestade que a bonança e era uma pedra constante na minha consciência. Devo ter recordado cada palavra que lá publiquei, vezes e vezes sem conta, sentindo-me atormentada por opiniões que nunca vou conhecer, de pessoas que provavelmente nunca lá foram.
(...)
Prefiro deixar de delirar, prefiro continuar a ser eu própria.
6.7.07
O fim dos meus delírios sãos
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