Não consigo ter uma opinião definida sobre as Novas Sete Maravilhas do Mundo.
Por um lado acho uma ideia muito simpática e acho maravilhoso chamar a atenção dos cidadãos do mundo para as maravilhas que o Homem construíu. A riqueza desse partimónio é inigualável e ninguém tem dúvidas que há obras de arte que não se vão voltar a repetir.
Mas uma coisa é assumir isso, outra é deixar que uma votação de carácter mundial seja influenciada indicriminadamente por milhões, sem que haja qualquer tipo de controlo sobre esses votos.
Eu compreendo que estou a falar de um verdadeiro atentado ao espírito democrático, que é impossível influenciar de alguma forma uma votação, sobretudo tão ampla quanto esta. Compreendo a beleza de fomentar a participação de todos os habitantes do planeta Terra e consigo ver a maravilha que é sentir que houve milhões, literamente milhões de pessoas a participar.
Mas será que não se podia ter pedido destes eleitores um bocadinho de bom-senso? Será que não se podia exigir um bocadinho de cidadania mundial em vez de um exagerado zelo patriótico?
É obrigatório que cada oportunidade de ver o nosso país trepar por cima dos outros faça com que uma escolha justa do nosso património mundial seja posta em causa?
Porque é que o amor, o vínculo que sentimos ao nosso país e à nossa nação deverá ser maior que aquele que sentimos pelo mundo que habitamos? Com que descaramento é que elegemos aquilo que nos faz triunfar em detrimento daquilo que realmente sabemos que é o melhor?
Sobretudo porque, afinal de contas, quem beneficia é a Humanidade, são os filhos dos nossos filhos, que vão estudar na escola quais os monumentos considerados os mais belos deste planeta. Eles não têm o direito de saber, de facto, quais são esses monumentos? A mim parece-me que têm.
E portanto parte de mim sente que esta eleição não tem credibilidade suficiente para ser comparada à verdadeira escolha das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Essas sim, verdadeiros exemplos do poder que o Homem tem de moldar a natureza e de criar obras tão belas que devam ser recordadas para sempre.
É fácil de deduzir que esta minha opinião se baseia, única e exclusivamente, na eleição da estátua do Cristo Redentor para uma das Sete Maravilhas do Mundo.
E não digo isto apenas por não gostar da estátua, que não gosto, mas sim porque acho inconcebível que seja um facto assumido que esta estátua tenha sido eleita por um povo ávido de reconhecimento e de projecção, um povo sem cultura e sem conhecimento, que fez a sua escolha apenas porque quer voltar a "ganhar" aos outros como quem ganha mais um Mundial de Futebol.
Os brasileiros viram esta oportunidade como mais um momento ideal de transmitir ao mundo a sua febre, a sua dedicação doentia a um país que, no fundo, não tem nada que lhe dê mais valor que a qualquer outro país em vias de desenvolvimento.
O resultado? Uma votação histórica que foi influenciada pelos votos desmesuradamente exagerados desta população histérica que, espalhada pelo mundo fora, encontrou a única oportunidade possível de se ver junto dos grandes e dos inesquecíveis sem ser através do, imagine-se, futebol!
Só havia dois cenários possíveis para o resultado desta votação mundial.
Por um lado, e penso que era o cenário que se tinha em mente que iria ter lugar, poderíamos contar com o bom-senso da humanidade em eleger imparcialmente os monumentos que constituem a riqueza do nosso património. Os cidadãos de todo o mundo que tivessem um computador ou um telefone ao seu alcance iriam participar de livre vontade e eleger os seus sete monumentos favoritos.
Esta escolha teria como factores decisivos o seu gosto pessoal, a vontade de participar num projecto que une todo o mundo e o interesse em ver reconhecidas as escolhas mais justas para que sejam recordadas para a posteridade.
O outro cenário, que foi o que infelizmente acabou por ter lugar, foi uma votação parcial influenciada por um nacionalismo despropositado e fora do seu lugar.
Porque longe de mim alguma vez acreditar que a Ilha da Páscoa era melhor candidata que o Cristo Redentor se, feitas as contas, a Ilha da Páscoa não tem habitantes! E longe de mim gostar que o Stonehenge fosse reconhecido pela humanidade se a série Os Imortais já passou de moda!
E deve-se ter em conta que esta crítica que aqui faço é exclusiva ao povo brasileiro. Não me parece que tenha acontecido o mesmo com o resto das nações detentoras de candidatos às Sete Maravilhas, o que até é de admirar. Porque se nos lembrarmos de países cujo patriotismo fervoroso se destaca, até é de estranhar como é que a Estátua da Liberdade não foi também uma das eleitas.
Mas não, aqui o que está em causa não é apenas o patriotismo, mas é esta febre de vencer aliada a um povo com baixíssimos índices culturais e sem qualquer tipo de capacidade de distinção entre o que é uma competição e o que é um reconhecimento justo de factores cujo desempenho já nem sequer pode ser alterado.
Porque por muito que eles queiram, por muito que tenha sido eleito, o Cristo Redentor nunca vai ser mais bonito que o Timbuktu nem nunca vai ter o significado que tem a Acrópole. Por muitos brasileiros que haja pelo mundo, eu não vou querer ensinar aos meus filhos o que é o Cristo Redentor tanto quanto lhes vou querer explicar como é que a civilização Inca viveu no Machu Picchu.
Foi um momento triste no meio de uma cerimónia bonita, de um momento que tinha as atenções do mundo e que podia ter sido ideal para cultivar esta sensação de pertença e de orgulho no nosso planeta.
Em vez disso ficámos com uma noção menos feliz do poder da Internet que, ao alcance de qualquer um, tem a capacidade de fazer com que a posteridade recorde como maravilhoso aquilo que é apenas mediano ou mesmo medíocre, falando tanto do Cristo Redentor como do seu povo rendido.
Por um lado acho uma ideia muito simpática e acho maravilhoso chamar a atenção dos cidadãos do mundo para as maravilhas que o Homem construíu. A riqueza desse partimónio é inigualável e ninguém tem dúvidas que há obras de arte que não se vão voltar a repetir.
Mas uma coisa é assumir isso, outra é deixar que uma votação de carácter mundial seja influenciada indicriminadamente por milhões, sem que haja qualquer tipo de controlo sobre esses votos.
Eu compreendo que estou a falar de um verdadeiro atentado ao espírito democrático, que é impossível influenciar de alguma forma uma votação, sobretudo tão ampla quanto esta. Compreendo a beleza de fomentar a participação de todos os habitantes do planeta Terra e consigo ver a maravilha que é sentir que houve milhões, literamente milhões de pessoas a participar.
Mas será que não se podia ter pedido destes eleitores um bocadinho de bom-senso? Será que não se podia exigir um bocadinho de cidadania mundial em vez de um exagerado zelo patriótico?
É obrigatório que cada oportunidade de ver o nosso país trepar por cima dos outros faça com que uma escolha justa do nosso património mundial seja posta em causa?
Porque é que o amor, o vínculo que sentimos ao nosso país e à nossa nação deverá ser maior que aquele que sentimos pelo mundo que habitamos? Com que descaramento é que elegemos aquilo que nos faz triunfar em detrimento daquilo que realmente sabemos que é o melhor?
Sobretudo porque, afinal de contas, quem beneficia é a Humanidade, são os filhos dos nossos filhos, que vão estudar na escola quais os monumentos considerados os mais belos deste planeta. Eles não têm o direito de saber, de facto, quais são esses monumentos? A mim parece-me que têm.
E portanto parte de mim sente que esta eleição não tem credibilidade suficiente para ser comparada à verdadeira escolha das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Essas sim, verdadeiros exemplos do poder que o Homem tem de moldar a natureza e de criar obras tão belas que devam ser recordadas para sempre.
É fácil de deduzir que esta minha opinião se baseia, única e exclusivamente, na eleição da estátua do Cristo Redentor para uma das Sete Maravilhas do Mundo.
E não digo isto apenas por não gostar da estátua, que não gosto, mas sim porque acho inconcebível que seja um facto assumido que esta estátua tenha sido eleita por um povo ávido de reconhecimento e de projecção, um povo sem cultura e sem conhecimento, que fez a sua escolha apenas porque quer voltar a "ganhar" aos outros como quem ganha mais um Mundial de Futebol.
Os brasileiros viram esta oportunidade como mais um momento ideal de transmitir ao mundo a sua febre, a sua dedicação doentia a um país que, no fundo, não tem nada que lhe dê mais valor que a qualquer outro país em vias de desenvolvimento.
O resultado? Uma votação histórica que foi influenciada pelos votos desmesuradamente exagerados desta população histérica que, espalhada pelo mundo fora, encontrou a única oportunidade possível de se ver junto dos grandes e dos inesquecíveis sem ser através do, imagine-se, futebol!
Só havia dois cenários possíveis para o resultado desta votação mundial.
Por um lado, e penso que era o cenário que se tinha em mente que iria ter lugar, poderíamos contar com o bom-senso da humanidade em eleger imparcialmente os monumentos que constituem a riqueza do nosso património. Os cidadãos de todo o mundo que tivessem um computador ou um telefone ao seu alcance iriam participar de livre vontade e eleger os seus sete monumentos favoritos.
Esta escolha teria como factores decisivos o seu gosto pessoal, a vontade de participar num projecto que une todo o mundo e o interesse em ver reconhecidas as escolhas mais justas para que sejam recordadas para a posteridade.
O outro cenário, que foi o que infelizmente acabou por ter lugar, foi uma votação parcial influenciada por um nacionalismo despropositado e fora do seu lugar.
Porque longe de mim alguma vez acreditar que a Ilha da Páscoa era melhor candidata que o Cristo Redentor se, feitas as contas, a Ilha da Páscoa não tem habitantes! E longe de mim gostar que o Stonehenge fosse reconhecido pela humanidade se a série Os Imortais já passou de moda!
E deve-se ter em conta que esta crítica que aqui faço é exclusiva ao povo brasileiro. Não me parece que tenha acontecido o mesmo com o resto das nações detentoras de candidatos às Sete Maravilhas, o que até é de admirar. Porque se nos lembrarmos de países cujo patriotismo fervoroso se destaca, até é de estranhar como é que a Estátua da Liberdade não foi também uma das eleitas.
Mas não, aqui o que está em causa não é apenas o patriotismo, mas é esta febre de vencer aliada a um povo com baixíssimos índices culturais e sem qualquer tipo de capacidade de distinção entre o que é uma competição e o que é um reconhecimento justo de factores cujo desempenho já nem sequer pode ser alterado.
Porque por muito que eles queiram, por muito que tenha sido eleito, o Cristo Redentor nunca vai ser mais bonito que o Timbuktu nem nunca vai ter o significado que tem a Acrópole. Por muitos brasileiros que haja pelo mundo, eu não vou querer ensinar aos meus filhos o que é o Cristo Redentor tanto quanto lhes vou querer explicar como é que a civilização Inca viveu no Machu Picchu.
Foi um momento triste no meio de uma cerimónia bonita, de um momento que tinha as atenções do mundo e que podia ter sido ideal para cultivar esta sensação de pertença e de orgulho no nosso planeta.
Em vez disso ficámos com uma noção menos feliz do poder da Internet que, ao alcance de qualquer um, tem a capacidade de fazer com que a posteridade recorde como maravilhoso aquilo que é apenas mediano ou mesmo medíocre, falando tanto do Cristo Redentor como do seu povo rendido.

4 comentários:
Belo comentário. Mostra porque os portugueses em geral são "bem vistos" dentro do mundo. Mesquinharia de primeira, principalmente por desdenhar (por puro recalque) algo que desejas pra ti.
Chamar o povo brasileiro de sem cultura? É apelação. Pelo que eu me lembre, com todas as dificuldades que o povo sofre, as manifestações artísticas (principalmente música) são belíssimas. Claro que há muitas merdas que devem ser ignoradas, mas dizer que o choro, samba, baião, frevo, maracatu e diversas outros estilos não são nada é coisa de alienado, que não conhece sobre o que está falando. Partindo pro ramo da música erudita, o Brasil tem Carlos Gomes, Villa-Lobos, Guerra-Peixe, Nepomuceno, Jobim, Gnatalli e Mignone, só pra citar os mais famosos. Portugal tem quem além de Carlos Seixas, que morreu no século XVIII?
Tirando a Nely Furtado, a cultura portuguesa é conhecida como?
Ah sim. Lembrei, ninguém conhece a cultura portuguesa, fora os próprios portugueses. Enquanto a cultura brasileira é apreciada em todos os cantos do mundo.
O Cristo Redentor não é só a estátua, e sim tudo o que está em volta no horizonte - uma das vistas mais apreciadas do mundo, inegavelmente. O Rio ainda é um dos maiores destinos turísticos mundiais, e uma das cidades mais famosas do mundo por sua beleza.
Só pra terminar esse levante: 70% dos problemas do Brasil atual são culpa da "eficiente" administração Portuguesa. Portugal foi um país ladrão de riquezas, bárbaro e o maior importador e traficante de escravos. E pra que tudo isso, já que o país quase quebrou depois do domínio mundial inglês?
Vai negar que Portugal ficou se arrastando até entrar na União Européia? Entrando dinheiro da UE, até Zâmbia vira primeiro mundo.
Estava aqui eu, na paz de minha internet quando fui brindado por meu amigo Furman com esse post que ouso colocar no hall das merdas vindas de portugal de primeira classe. E, em minhas andanças pela internet o que encontrei de portugueses descontentes com o país está fora do gibi. Como boa parte dos meus comentários já foram sabiamente ditos aqui, deixarei um depoimento que encontrei nas minhas caminhadas por essa rede:
At 23 de Fevereiro de 2007 15:09, Anónimo said...
vivo em vinhais,perto da fronteira com a galliza,o governo português,os tipos que estão em lisboa a encher a pança á custa do povinho) querem-nos fechar as urgencias,maternidades,tribunais etc etc...o pessoal aqui,vai encher os despositos ás bombas de gasolina em espanha,muitos aqui trabalham no lado espanhol e vêm dormir ao lado português,as mães vão ter os seus filhos a espanha,o desemprego sobe a miseria aumenta,temos uma patria mas estamos a deixar de ter pão,se não fossem os nossos vizinhos espanhois já estariamos famintos, ou seja,lisboa está cada vez mais longe de nós e a galliza cada vez mais perto,mais depressa chegamos nós a vigo,a corunha a madrid do que a lisboa,ser espanhol não seria má ideia !!! Fui á manifestção em valença do minho contra o fecho das urgencias e fomos recebidos á porrada pela GNR,foi etão que vi muitos portugas a emponhar a bandeira espanhola e galega e dár vivas a espanha !!! Os tachistas que estão ai em lisboa e que consomem o pais que tenham cuidado,pois o pessoal por estas bandas já está a começar a abrir os olhos,ainda forma-mos aqui um grupo separatistas e juntamo-nos aos nosssos amigos galegos.se lisboa não quer saber de nós,nós tambem não queremos saber de lisboa.Portugal é merda,quero ser espanhol,quero ser gallego.
Me reservo ao direito de não entrar no mérito de discutir o gabarito de portugal como nação, acho que resolvi isso com essa citação.
Sua interpretação do que é o povo brasileiro a partir do resultado da votação demonstra profunda idiotice e falsa de análise isenta.
Toda votação que fosse proposta nos moldes desta seria necessariamente uma escolha de massa, não uma escolha crítica. Quem escolhe qualquer coisa de forma crítica são os estudiosos das respectivas áreas em consenso temporal, nunca votação popular alguma, seja aqui, seja na Europa.
Analise os perfis da votação que foram divulgados, e você constatará que mesmo povos que você classificaria como cultos votaram nos candidatos de seus respectivos países, embora em menor número. O senso de pertencimento nacional existe há séculos. O global, que no grosso é muito mais fantasioso e arbitrário, é algo recente.
Não se diga que os brasileiros agiram de forma fanática. Antes tivessem os brasileiros esse amor ao país que você invocou, quando na verdade mal tem algumas gotas dele! Votaram esmagadoramente por celular, sem ter trabalho algum. Não lhes ocupou a cabeça esse assunto, não foi objeto de qualquer militância individual ou deliberação demorada, e o resultado não demonstra que são "um povo histérico, ávido por reconhecimento". O resultado não demonstra nada, como você facilmente perceberia se aplicasse ao assunto algum método sociológico, e não só palpites.
Não se diga também que deturparam
qualquer cultura que seja. Uma escolha feita nesses moldes não se pode considerar cultura. Só quem viu dois cenários possíveis foi você, qualquer pessoa de bom senso só viu um - mais uma grande campanha de mídia sem qualquer valor maior de fundo. Da forma que foi feita, desembocando ou não num espírito competitivo, o resultado não teria valor algum, fosse o Cristo, fosse qualquer outra coisa.
Não se diga ainda que os brasileiros careceram de cultura global. Não se pode pedir de um povo algo que não lhe é mais que uma ficção distante. A maioria deste povo sofrido mal tem dinheiro pra viajar pelo Brasil, quem dirá
pra se aprofundar nos monumentos mundo afora.
Culpado não é este povo, pois votou dentro daquilo que conhece, não tanto por julgar o Cristo melhor que os demais candidatos, mas sim por julgá-lo bom o suficiente pra ser considerado uma maravilha do mundo.
Sua análise de que isso partiu de uma vontade de colocar-se "entre os grandes", "entre os inesquecíveis" ou avidez por reconhecimento é pura fantasia. Lembro-te que a esmagadora maioria do povo em questão não sabe quais são as maravilhas do mundo antigo, qual a proposta e circunstância por detrás disso, e nem sabe onde io resultado da atual votação será eventualmente ensinado e pra quem (muitos nem sabem que a escolha terá algum resultado pra além do momento mesmo da votação). Tal como nunca cruzaram na vida com menção explícita às maravilhas antigas, também nada esperam da escolha das novas, além de uma simples votação banal, que é aliás o que ela é.
Foi-lhes aberta uma votação cujo objeto de fundo desconhecem totalmente a forma e o conteúdo, não poderiam votar senão pela simpatia imediata. Se não se quisesse isso, que não se fizesse então este carnaval imbecil, no qual aparentemente você depositou muito da sua fé, como deposita na ficção do pertencimento global.
Antes de mais, não posso deixar de pedir desculpas pelas possíveis ofensas, pois agora que já passaram 5 meses vejo muito bem os meus exageros típicos presentes num texto escrito no calor do momento.
E estes exageros são típicos e não me importo de os escrever sem pensar nas suas consequências porque, de facto, não tenho um blog que procure mudar o mundo nem mudar o que as pessoas pensam sobre mim. Como podem ver, é um blog pessoal que se destina bastante às pessoas que me conhecem.
Em relação ao que me disseram:
- Rodrigo: LONGE DE MIM defender portugal!! Juro por tudo! Não me passa passa pela cabeça defender a nossa cultura como superior à da brasileira, embora ache que temos uma cultura bem mais profunda do que aquela que actualmente é transmitida pela nelly furtado ou pelo cristiano ronaldo. Temos um dos países mais antigos do mundo e conseguimos conquistar mais de metade do mundo. Agora estou na ásia e tenho noção do quão longe conseguimos vir, mas tenho ainda melhor noção do quão mal deixámos todos esses países, abandonando-os sem lhes deixar meios de prosperarem sozinhos e sem nos voltarmos a preocupar (tinha até escrito isso no texto sobre Hong Kong no qual deixou o seu comentário). Não defendo nada disso.
Estou aqui na China a discutir este assunto com a minha família e o meu irmão, que vive cá, tenta-me fazer compreender a idiotice de toda a votação. De facto, por viver em Lisboa (local onde ocorreu a votação e eleição) penso que fomos levados a crer que era uma eleição de uma importância desmesurada e que ia realmente classificar novas maravilhas do mundo. Vejo agora que, se calhar, não houve nada de relevante numa votação levada a cabo por empresas privadas e sem qualquer relevância.
Não mudo de opinião. Não penso que o Cristo Redentor seja mais maravilhoso que outras das propostas a essa honra. Não duvido do sonho que deve ser a vista que deve ter nem duvido que seja um sítio lindo de se visitar.
Tenho imensa pena de vos ter ofendido muito. Volto só a lembrar que a minha opinião não tem estudos sociológicos como base, que o meu blog não é uma fonte de leitura do povo português e que não deviam levar a opinião de uma miúda que sente mais do que pensa tão a sério.
É possível que eu um dia até crie um blog onde prometa que tudo o que escrevo foi pensado e repensado e que pode ser transcrito pelo mundo fora. Quando isso acontecer, aviso. Até lá, por favor, isto é só uma tarte de limão.
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